Alcolumbre avalia indulto a Bolsonaro para ampliar apoio no Senado
Presidente do Senado estuda negociar medida com Lula ou anistia no Congresso enquanto busca conter pressão sobre o STF.

Davi Alcolumbre avalia propor um indulto a Bolsonaro ou uma anistia ao ex-presidente. A articulação, segundo aliados, mira apoio da direita à reeleição dele no Senado. Além disso, a estratégia também tenta reduzir a pressão pelo impeachment de ministros do STF.
Bolsonaro está preso desde agosto de 2025, após condenação por participação em tentativa de golpe de Estado. De acordo com aliados, Alcolumbre quer esperar a repercussão da reeleição de Lula esfriar. Só então ele pretende levar a proposta adiante no Congresso.
Conversas com Lula
Alcolumbre teria dito a parlamentares que pretende falar com Luiz Inácio Lula da Silva sobre um indulto humanitário. A decisão, porém, depende do presidente da República. O assunto não entrou na conversa entre os dois na segunda-feira, 26, realizada depois da votação citada no relato.
Caso Lula não aceite conceder o perdão, Alcolumbre trabalharia por uma anistia no Congresso. A oposição já cobrou essa votação. No entanto, o presidente do Senado já articulou, no ano passado, uma alternativa mais restrita para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Essa lei segue suspensa desde maio, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Ele é relator do processo contra Bolsonaro. O texto ainda aguarda análise do plenário do STF. Um aliado de Alcolumbre afirma que a validação da dosimetria das penas poderia reduzir a tensão política.
Pressão sobre o STF
A eventual anistia também exigiria negociação com Lula, segundo aliados. O objetivo seria evitar reação da base governista e um possível veto presidencial. Assim, a articulação buscaria impedir que o tema volte a ampliar o confronto político no Legislativo e na sociedade.
Aliados de Alcolumbre defendem uma anistia limitada à esfera penal. Dessa forma, ela não permitiria o retorno de Bolsonaro às eleições. O ex-presidente segue inelegível até pelo menos 2060, por causa de condenação do STF. Ainda assim, há divergências jurídicas sobre os efeitos eleitorais de uma eventual anistia.
Em troca de uma solução para Bolsonaro, Alcolumbre quer o compromisso da direita de abandonar a pressão por impeachment de ministros do Supremo. Além disso, ele pretende concentrar esforços em uma reforma mais ampla do Judiciário. Pelo menos 49 dos 81 senadores da próxima legislatura defendem o afastamento de magistrados, mas a aprovação exige 54 votos.
A articulação ocorre enquanto Alcolumbre disputa a presidência do Senado para 2027 com Rogério Marinho e Tereza Cristina. Embora tenha apoio da esquerda e do centro, ele precisa ampliar a base entre partidos de centro-direita. O PL terá 29 senadores, além de três parlamentares do Novo.
Siglas como PP e Republicanos também são vistas como mais próximas da oposição. Por isso, a negociação com esse bloco ganha peso na disputa interna pelo comando da Casa. No cenário atual, o Senado virou peça central dessa costura política.



