PF investiga restrição ao transporte público no segundo turno
Apurações ocorrem em cinco estados e miram possível embaraço ao voto nas eleições.

A Polícia Federal prepara novas diligências nesta segunda-feira (26) para apurar restrição ao transporte público durante o segundo turno das eleições. As investigações ocorrem em São Paulo, Bahia, Alagoas, Piauí e Sergipe.
Os investigadores querem saber se houve atuação deliberada de autoridades na redução da oferta de ônibus. A apuração também mira possíveis crimes de impedimento ou embaraço ao voto.
As equipes trabalham em conjunto com os Tribunais Regionais Eleitorais e com o Ministério Público Eleitoral. Além disso, a corporação pode cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão nos próximos dias.
Testemunhas já começaram a depor
Segundo a Polícia Federal, as oitivas de testemunhas começaram no domingo. As equipes também fazem diligências nos locais ligados às ocorrências investigadas.
As dificuldades na oferta de ônibus durante a votação levaram o ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, a prorrogar o encerramento do pleito até as 19h. Portanto, a medida ampliou o tempo de votação em razão dos relatos recebidos.
O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali, afirmou que as apurações seguem em andamento. Ele disse que a polícia coleta depoimentos e verifica as circunstâncias dos fatos.
Apuração também alcança Salvador
De acordo com Cali, a PF já instaurou inquérito para esclarecer as ocorrências. O foco está nas suspeitas de impedimento ao voto e de restrição ao fornecimento de transporte público.
Em Salvador, na Bahia, a restrição à circulação de ônibus levou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, Maurício Kertzman Szporer, a determinar a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. Ele não foi detido porque estava em Paris.
Segundo informações da prefeitura, cerca de 75 ônibus do transporte público da capital baiana foram impedidos de sair das garagens. Os veículos tinham adesivos com o número de votação de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à Presidência.
Na decisão, o presidente do TRE-BA atribuiu à Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador a orientação para reduzir a frota. Além disso, ele determinou a prisão imediata do titular da pasta.
As campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro, do PL, haviam apresentado pedidos para prorrogar o encerramento da votação em diferentes regiões do país. A solicitação acabou acolhida pelo ministro do STF.
Flávio Bolsonaro criticou a decisão de Zanin, que classificou como “inexplicável”. O candidato derrotado afirmou ainda que o episódio seria motivo para anular a eleição vencida por Lula.
O caso de Salvador integra o conjunto de ocorrências sob análise da Polícia Federal. Assim, a corporação tenta esclarecer se houve interferência na oferta de transporte público e prejuízo ao exercício do voto.



