Investigação sobre filme de Jair Bolsonaro segue no STF
Perícia da Polícia Federal analisa contratos, despesas e remessas ligadas à cinebiografia Dark Horse.

A investigação sobre filme ligada à cinebiografia Dark Horse deve continuar no Supremo Tribunal Federal, mesmo após a perda do foro de Flávio Bolsonaro. A avaliação partiu de integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República, ouvidos reservadamente.
O inquérito foi aberto em julho pelo ministro André Mendonça. Ele apura possíveis irregularidades no financiamento da produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso também surgiu como desdobramento da investigação sobre o Banco Master.
Perícia analisa contratos e despesas
A Polícia Federal faz uma perícia contábil e financeira nos contratos e nas despesas da Go Up Entertainment. A empresa responde pela produção de Dark Horse. A análise deve terminar nos próximos meses.
Segundo a PF, a empresa enviou mais de 20 mil páginas de documentos. O material reúne contratos de câmbio, notas fiscais e recibos de despesas operacionais. Agora, os investigadores examinam tudo com atenção.
Além disso, a perícia quer verificar se os gastos declarados batem com os contratos de câmbio. O trabalho também compara os recursos recebidos no Brasil e o fluxo financeiro de US$ 12,3 milhões enviados ao exterior.
Destino dos recursos segue em apuração
Uma das linhas da apuração tenta esclarecer o destino dos valores enviados aos Estados Unidos por Daniel Vorcaro. Ele é dono do Banco Master. Os investigadores querem saber se o dinheiro foi usado no filme ou em outras despesas.
Entre essas hipóteses, a PF verifica se parte dos recursos custeou a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Eduardo vive no país desde fevereiro de 2025 e também é alvo da investigação.
O dinheiro passou pelo fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto. Ele atua como advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro e também é investigado no STF. O fundo teria servido para intermediar os repasses do projeto cinematográfico.
Agora, a PF busca rastrear as transferências feitas pela Entre Investimentos ao Havengate. Foram sete remessas, que somam US$ 12,3 milhões. Depois disso, os peritos querem relacionar esses valores ao que a Go Up Entertainment recebeu no Brasil.
O que a PF quer confirmar
A investigação também quer identificar quanto foi pago de fato e o que tem respaldo documental. Para isso, a PF procura inconsistências, pagamentos duplicados, notas canceladas e recibos sem identificação adequada.
Além disso, os peritos analisam transações com empresas sem capacidade operacional aparente. O objetivo é saber se houve contratos simulados, subfaturamento, superfaturamento ou triangulação financeira.
Uma perícia privada apresentada pela própria Go Up Entertainment indicou que 72% das despesas do filme ocorreram nos Estados Unidos. Porém, a produção foi filmada no Brasil. Esse dado chamou a atenção de produtores ouvidos no caso.
Com a conclusão da análise, a Polícia Federal deve reunir novos elementos sobre a origem, a movimentação e a destinação dos recursos. Até aqui, as suspeitas investigadas ainda não representam comprovação de crime.
Flávio Bolsonaro também responde a outra apuração no STF, que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O caso cita o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo e possível sócio do senador em alguns negócios.
Já a investigação sobre o financiamento do filme também alcança o deputado federal reeleito Mário Frias. Ele continuará na Câmara dos Deputados por mais quatro anos e mantém foro no Supremo.
Por isso, a investigação sobre filme segue em fase de perícia e cruzamento de documentos. O foco, agora, está na compatibilidade entre os valores declarados e os serviços realizados.



