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Médico do Einstein gera polêmica após atacar Lula e petistas

Cardiologista apagou a publicação, privou o perfil no Instagram e hospital disse que analisa o caso internamente.

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Médico do Einstein gera polêmica após atacar Lula e petistas
Foto: Reprodução

O médico do Einstein Clederson Henry Dina provocou reação nas redes sociais neste sábado (24), em São Paulo. O cardiologista publicou mensagens com ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que não atende pacientes que apoiam o partido.

Na publicação, depois apagada, ele escreveu: “9 dedos vagabundo!!! Não atendo petistas vagabundos … tenho meus recursos para evitar isso …”. A expressão “9 dedos” costuma aparecer em referência pejorativa a Lula.

O texto também marcou a véspera do segundo turno das eleições presidenciais, disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, o médico afirmou ter meios para evitar o atendimento a eleitores petistas, mas não explicou como faria essa identificação.

Repercussão nas redes

As declarações circularam após serem divulgadas neste sábado. Depois da repercussão, as postagens saíram do ar antes de completarem 24 horas. O médico ainda tornou o perfil privado no Instagram, após receber críticas de usuários da rede social.

O Hospital Israelita Albert Einstein repudiou as falas e disse que manifestações individuais não representam a instituição. O hospital informou que conta com cerca de 20 mil médicos, entre autônomos e contratados.

“Declarações individuais desses profissionais não representam o posicionamento institucional da organização”, informou o Einstein.

O hospital também afirmou que não admite manifestações discriminatórias.

“O Einstein repudia de forma veemente qualquer manifestação ou ação discriminatórias e não tolera condutas que atentem contra o respeito e os direitos de qualquer pessoa”, declarou.

O que diz a ética médica

Segundo o Código de Ética Médica, a profissão deve ser exercida sem discriminação de qualquer natureza. O texto da Resolução nº 2.217/2018 do Conselho Federal de Medicina também trata a medicina como serviço à saúde do ser humano e da coletividade.

Além disso, a norma proíbe que médicos deixem de atender pacientes em serviços de urgência e emergência quando a assistência for de sua responsabilidade. O artigo 7º do capítulo III veda essa recusa mesmo que exista respaldo da maioria da categoria.

Na prática, a possibilidade de recusa depende das circunstâncias e das regras profissionais. No entanto, a discriminação por convicção política contraria os princípios éticos estabelecidos pelo CFM.

Ligação com a clínica

O perfil de Clederson Henry Dina no Instagram mencionava o Einstein e também a clínica de David Uip. Após a repercussão, essas referências saíram da descrição do perfil.

A assessoria de David Uip informou que o cardiologista aluga uma sala no mesmo prédio onde funciona a clínica. Portanto, ele não tem vínculo empregatício com o consultório.

O Einstein disse ainda que o caso está sendo analisado internamente. Assim, o episódio segue em apuração dentro do código de ética e das diretrizes da instituição.