Imprensa internacional destaca disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
Veículos dos Estados Unidos, da Europa e do Reino Unido avaliaram os efeitos da eleição no Brasil e na América Latina.

A disputa Lula e Flávio Bolsonaro pela Presidência do Brasil ganhou destaque na imprensa internacional neste domingo (25), no segundo turno das eleições. Veículos estrangeiros também relacionaram o resultado ao cenário político da América Latina e às relações com os Estados Unidos.
Entre as publicações citadas estão El País, Associated Press, The New York Times e The Guardian. As análises trataram da polarização da campanha e, além disso, da possibilidade de mudanças no rumo político brasileiro.
El País vê disputa por poder
O jornal espanhol El País descreveu a eleição como uma escolha entre “entregar todo o poder aos Bolsonaro ou dar uma última vitória a Lula”. A análise conectou o resultado ao Congresso, que ficou mais conservador após as eleições legislativas.
Segundo o jornal, uma vitória de Flávio Bolsonaro ampliaria a influência da família Bolsonaro sobre o governo federal. Por outro lado, a reeleição de Lula manteria a atual orientação política e econômica do país.
A publicação também destacou a mobilização de eleitores dos dois campos nas últimas semanas de campanha. Assim, a disputa passou a depender ainda mais dos votos decisivos.
EUA e América Latina em foco
A Associated Press classificou a votação como tensa e ressaltou os reflexos para as relações entre Brasil e Estados Unidos. A agência também apontou impactos no equilíbrio político da América Latina.
A reportagem mencionou uma pesquisa Datafolha divulgada durante a semana. O levantamento indicava empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, ambos com 50% das intenções de voto, segundo os dados citados.
“Brasileiros votam em uma disputa tensa entre Lula e Bolsonaro com influência dos EUA e com a América Latina em jogo. (…) O resultado determinará se os Estados Unidos ampliarão significativamente sua crescente influência na América Latina”
A AP ainda comparou os cenários possíveis. Uma vitória de Flávio representaria uma guinada à direita na maior economia da América Latina. Já um novo mandato de Lula manteria o país sob um governo de centro-esquerda.
Disputa imprevisível
O britânico The Guardian descreveu a eleição como “altamente imprevisível”. O jornal destacou a margem estreita entre os candidatos e o avanço de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Além disso, a publicação afirmou que Lula concentrou a campanha do segundo turno em estimular o comparecimento às urnas. O jornal também citou a estratégia petista para alimentar temores sobre um retorno ao poder de um integrante da família Bolsonaro.
The Guardian mencionou ainda promessas feitas por Flávio durante a campanha. Entre elas, estavam a possibilidade de conceder indulto ao pai, Jair Bolsonaro, e de promover mudanças na Constituição brasileira.
O The New York Times também tratou da eleição como um teste para a direita na América Latina. O jornal apontou a possibilidade de Flávio Bolsonaro conquistar uma das maiores vitórias recentes desse campo político na região.
A publicação destacou, ainda, o interesse do governo de Donald Trump no resultado. Segundo o jornal, há afinidade ideológica entre Trump e Flávio Bolsonaro, o que pode aproximar os dois governos.
Dessa forma, a cobertura internacional reforçou o peso da eleição brasileira fora do país. As análises ligaram o resultado da disputa Lula e Flávio Bolsonaro ao futuro político interno e às alianças na América Latina.



