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Bondinho Pão de Açúcar completa 114 anos com novos capítulos

Cartão-postal do Rio passou por modernizações, recebeu visitantes históricos e enfrenta disputa judicial sobre a tirolesa.

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Bondinho Pão de Açúcar completa 114 anos com novos capítulos
Foto: Reprodução

O Bondinho Pão de Açúcar completa 114 anos na próxima terça-feira (27), no Rio de Janeiro. Inaugurado em 1912, o teleférico liga a Praia Vermelha ao Morro da Urca e segue como um dos símbolos do turismo carioca.

A trajetória do equipamento começou antes da inauguração. A ideia surgiu em 1908, quando Augusto Ferreira Ramos participou da organização da Exposição Nacional. As obras começaram em 1910, com operários que transportaram materiais por terrenos íngremes e de difícil acesso.

O primeiro trecho entrou em funcionamento em 27 de outubro de 1912. Depois, em 1969, a Companhia do Pão de Açúcar recebeu autorização para duplicar a linha. As cabines também mudaram e passaram a levar 75 passageiros.

Modernizações e memória

O sistema passou por uma nova transformação em 1972. Naquele ano, os antigos bondinhos deram lugar a cabines maiores, com laterais transparentes. Assim, o passeio ganhou mais capacidade e uma vista ampliada da cidade.

Segundo o historiador Carlos Ditadi, do Arquivo Nacional, o Bondinho foi uma iniciativa privada. Ele afirmou que a estrutura continua ligada à mesma família do construtor. “O bondinho foi construído por alpinistas suíços especialmente treinados”, disse.

Ditadi também relatou que os trabalhadores carregaram quatro toneladas de equipamentos. Além disso, os bondinhos de madeira maciça, feitos na Alemanha, tinham capacidade para 22 passageiros.

Ao longo da história, o passeio recebeu nomes importantes. Entre eles estão Albert Einstein, em 1925, Marie Curie, em 1926, John Kennedy, em 1941, e Bob Marley, em 1980.

O conjunto formado pelos morros do Pão de Açúcar, da Urca, Cara de Cão e Babilônia foi tombado pelo Iphan em 1973. Depois disso, o Morro da Urca passou a receber o projeto Noites Cariocas, em 1980, idealizado por Nelson Motta.

Em 2008, o parque avançou em outra modernização. As cabines foram substituídas por modelos fabricados na Suíça, com sistema digitalizado, controle automatizado do trajeto e painéis de monitoramento. Além disso, a operação ganhou um novo sistema de esgoto.

Disputa sobre a tirolesa

Nos últimos anos, o Bondinho Pão de Açúcar também entrou em uma disputa judicial. O projeto de tirolesa entre os morros da Urca e do Pão de Açúcar levantou questionamentos sobre impactos ambientais e urbanísticos.

Em julho deste ano, a Justiça Federal negou um novo pedido do parque para retomar as obras. A construção está suspensa desde abril de 2026 e previa quatro linhas entre os dois morros.

O Tribunal Regional Federal manteve a paralisação e exigiu a apresentação de um plano de recuperação da área degradada. A concessionária informou que a atração teria quatro linhas de 755 metros, com velocidade máxima de 100 km/h em menos de um minuto.

Enquanto isso, o parque também lança um novo posicionamento de marca, chamado Original do Rio. A proposta destaca o vínculo do atrativo com a identidade carioca e com a história da cidade.

O espaço ainda mantém atividades culturais, ações ligadas à natureza e iniciativas de memória. Entre elas estão o Amanhecer no Parque Bondinho, o Bem-Estar no Parque Bondinho, o Bosque das Artes e o Espaço de Memória Cocuruto.

De acordo com informações do parque, mais de 50 milhões de visitantes passaram pelo local desde a inauguração. Assim, o teleférico segue como referência do turismo no Rio e mantém o percurso original entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca.