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Polícia prende dona de clínica suspeita em Nova Iguaçu

Investigação apura uso de medicamentos vencidos e possíveis procedimentos cirúrgicos sem habilitação profissional no Centro da cidade.

fabricio · 3 min de leitura
Polícia prende dona de clínica suspeita em Nova Iguaçu
Foto: Reprodução

A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta quinta-feira (22), a dona de uma clínica de estética no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, por crimes contra as relações de consumo. A clínica em Nova Iguaçu passou a ser investigada após os agentes encontrarem medicamentos vencidos no estabelecimento.

Camila Nunes Pereira Marinho também é suspeita de realizar procedimentos cirúrgicos sem a habilitação profissional exigida. Na ação, policiais da 52ª DP (Nova Iguaçu) localizaram materiais que podem ter sido usados em procedimentos de lipoaspiração. Os equipamentos serão analisados para confirmar a finalidade.

Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão tanto na clínica quanto na casa da proprietária. Na residência, foram apreendidos medicamentos, ampolas e seringas. Em uma diligência anterior, realizada em 5 de outubro, os investigadores já haviam recolhido 16 ampolas de um medicamento controlado usado para sedação, após denúncia de irregularidades no local.

Uma paciente relatou aos investigadores que recebeu sedativos durante um procedimento estético, desmaiou três vezes e apresentou lesões após o atendimento. A clínica, segundo a investigação, divulgava seus serviços por meio de folhetos que ofereciam às mulheres um “bumbum de ouro”.

O relato da paciente aponta que o procedimento foi anunciado como “hidrolifting”, mas teria incluído a retirada de gordura do abdômen e a aplicação do material nos glúteos. Ela afirmou ainda que a intervenção teria sido feita por uma profissional que ainda não havia concluído a formação. A mulher também relatou complicações após outro procedimento estético, com dores e nódulos na região dos glúteos. Um exame de corpo de delito confirmou a existência de lesões corporais.

Durante as diligências, os investigadores encontraram publicações nas redes sociais e mensagens em um grupo de clientes da clínica com relatos de dores intensas durante os procedimentos. A polícia também apura se os dados de um profissional foram usados de forma indevida para apresentá-lo como responsável técnico pelo estabelecimento. Em depoimento, ele negou ter autorizado o uso do nome e do carimbo.

A investigação apura possíveis crimes de exercício ilegal da medicina, lesão corporal, exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, falsidade documental e infrações contra as relações de consumo. Os agentes buscam identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a participação dos envolvidos.

Em nota sobre o caso, a reportagem não conseguiu contato com a defesa da responsável citada.

Operação anterior no Rio de Janeiro

A ação em Nova Iguaçu ocorreu um dia depois de outra operação da Polícia Civil no Grupo de Saúde Celita Toledo, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. A diretora da unidade, Celita Ribeiro, é investigada pela morte de três pacientes após procedimentos cirúrgicos no local.

Na quarta-feira (21), agentes da Delegacia do Consumidor cumpriram mandados de busca e apreensão no estabelecimento. Durante a operação, todos os centros cirúrgicos foram interditados, e medicamentos vencidos e documentos foram apreendidos com apoio de fiscais da Vigilância Sanitária.

Além de Celita, outras três pessoas prestaram depoimento na sede da especializada, na Cidade da Polícia, na Zona Norte. Entre elas estavam um médico venezuelano que atendia na unidade e a chefe do centro cirúrgico. As identidades deles não foram divulgadas.