Alerj tem plenário vazio e reacende debate sobre sessões remotas
Com 64 presenças registradas, apenas seis deputados estavam no plenário a três dias do segundo turno presidencial.

A sessões remotas na Alerj voltou ao centro do debate nesta quinta-feira (22), quando a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro registrou um plenário esvaziado a três dias do segundo turno das eleições presidenciais. Embora 64 deputados tenham marcado presença, apenas seis estavam fisicamente no plenário.
A situação gerou críticas de parlamentares que compareceram à Casa e reforçou questionamentos sobre a manutenção da participação virtual nas sessões legislativas. O mecanismo foi adotado durante a pandemia de Covid-19 e, desde então, passou a ser usado no funcionamento da Assembleia.
Entre os presentes estavam Luiz Paulo (PSD) e Vinicius Cozzolino (PSD), além de Lilian Behring (PCdoB) e Professor Josemar (PSOL), que não conseguiram a reeleição. Também participaram Val Ceasa (PRB), cuja candidatura está sub judice, e Tia Ju (Republicanos), que presidiu os trabalhos.
Durante seu discurso, Luiz Paulo questionou a continuidade da regra que permite aos deputados acompanharem as sessões à distância. Para ele, a prática enfraquece as discussões e prejudica a atividade parlamentar. “Há uma decisão desta casa que a presença pode ser remota, eu acho que é algo que devia ser revisto”, afirmou.
O deputado disse ainda que o formato virtual reduz a intensidade do debate legislativo. “A presença remota enfraquece o debate na Casa Legislativa, o debate quanto mais presencial for, melhor”, declarou.
Vinicius Cozzolino concordou com a avaliação e defendeu que a Assembleia discuta se a presença virtual deve ser encerrada ou, ao menos, limitada. Segundo ele, o parlamento precisa da participação efetiva de seus membros para manter a dinâmica dos trabalhos. “De fato o parlamento precisa ter a vivacidade de contar com a presença de seus membros e nós precisamos refletir sobre a possibilidade da presença virtual ou pelo menos limitar essa presença”, afirmou.
Ele também lembrou que a medida foi incorporada ao dia a dia da Casa durante a crise sanitária da Covid, quando a redução da circulação de pessoas era necessária. Com o retorno à normalidade, Cozzolino avaliou que as regras precisam ser revistas. “Passado aquele período da pandemia as coisas voltaram à normalidade, então seria de bom tom que a possibilidade da presença virtual fosse revista”, disse.
Debate sobre eleições e funcionamento da Casa
A proximidade do segundo turno também entrou na discussão. Luiz Paulo antecipou a possível justificativa eleitoral para a ausência de deputados, mas rejeitou que a campanha impeça a presença nas sessões. “Garanto que nenhum de nós, por ficar aqui pelo menos uma hora no plenário, não vamos decidir as eleições presidenciais nesse Brasil imenso que nós temos”, afirmou.
O parlamentar acrescentou que pretende retomar o tema das sessões remotas na Alerj na próxima legislatura. De acordo com ele, a prioridade no período final da atual composição será a votação do orçamento estadual para 2027.
“Esse tema evidentemente é um tema recorrente que vou abordar na próxima Legislatura, porque nessa a única coisa que espero é na verdade a votação do orçamento, a peça importante para 2027”, disse.
Luiz Paulo também sugeriu que Vinicius Cozzolino leve a pauta ao Colégio de Líderes da Assembleia, para ampliar a discussão entre os deputados.



