Unicirco na Quinta da Boa Vista movimenta R$ 15,7 milhões
Estudo da FGV aponta impacto econômico do projeto de Marcos Frota e calcula 141 empregos sustentados no Rio.

O impacto econômico do Unicirco, instalado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, foi estimado em R$ 15,7 milhões. O levantamento, feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV), também aponta que o projeto sustenta 141 postos de trabalho e gera R$ 3,6 milhões em renda.
O Instituto Unicirco Marcos Frota completou 16 anos com números que mostram a movimentação provocada pelas apresentações, pelas atividades de formação e pelos projetos sociais ligados à iniciativa. Inaugurado em 12 de outubro de 2010, o espaço foi fundado pelo ator Marcos Frota e recebeu o reconhecimento de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro em 2024.
De acordo com a FGV, dos R$ 15,7 milhões estimados, R$ 7,3 milhões correspondem a efeitos diretos e R$ 8,4 milhões a impactos indiretos, alcançando outros setores da economia. A pesquisa calcula ainda R$ 2,2 milhões em arrecadação de impostos municipais, estaduais e federais e R$ 6,1 milhões de contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB).
O estudo também detalha o peso dos visitantes na conta final. Segundo a FGV, os gastos do público respondem por cerca de R$ 9,6 milhões em movimentação econômica e sustentam 82 postos de trabalho. Para chegar aos resultados, os pesquisadores consideraram um público anual de 100 mil pessoas e gasto médio de R$ 52 por visitante, incluindo alimentação, bebidas, transporte e outros serviços.
Já o funcionamento do próprio Unicirco representa aproximadamente R$ 6,1 milhões em atividade econômica, além de 59 postos de trabalho e R$ 1,6 milhão em renda. O levantamento utilizou a metodologia de Matriz de Insumo-Produto, que mede como os gastos de uma atividade se espalham por outros segmentos da economia.
Marcos Frota afirmou que os dados ajudam a mostrar uma dimensão do trabalho que nem sempre aparece para quem acompanha as apresentações. “Ao longo desses 16 anos, vimos milhares de pessoas passarem pelo Unicirco e sempre soubemos da força transformadora que a cultura pode ter na vida de uma criança, de uma família e de uma comunidade”, disse.
O ator acrescentou que o estudo mostra uma cadeia maior de efeitos ligados à cultura. “Quando se investe em cultura, há uma cadeia inteira que se movimenta. Há trabalho, renda, circulação de pessoas e desenvolvimento no entorno”, afirmou. Ele também defendeu a permanência de projetos culturais na mesma região como forma de fortalecer vínculos com a comunidade.
O Instituto Unicirco Marcos Frota desenvolve atividades culturais e educativas com apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. O projeto também conta com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Além dos espetáculos, a instituição mantém atividades de formação circense e ações de inclusão social. A proposta é ampliar o acesso à cultura e oferecer oportunidades a crianças e jovens por meio das artes do circo.
Frota disse ainda que a continuidade do projeto permite ampliar seus efeitos sociais e econômicos. “Cultura precisa ser compreendida também como investimento em desenvolvimento”, afirmou. Segundo ele, o Unicirco chega aos 16 anos na Quinta da Boa Vista com a responsabilidade de seguir ampliando oportunidades.
O estudo divulgado pelo instituto considera tanto os gastos necessários para manter o projeto quanto a movimentação gerada pelos visitantes na economia da cidade.