Campanhas milionárias e redes sociais entram no debate da Alerj
Deputados discutiram caixa 2, desigualdade de recursos, mudanças em locais de votação e o impacto dos algoritmos nas eleições.

Campanhas milionárias, suspeitas de caixa 2 e a influência das redes sociais no voto foram tema de debate na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (22), a três dias do segundo turno presidencial. Os deputados Luiz Paulo (PSD) e Professor Josemar (PSOL) também discutiram desigualdade de recursos entre candidatos e obstáculos ao exercício do voto no país.
A conversa começou com a defesa das urnas eletrônicas feita por Luiz Paulo, que destacou a rapidez da apuração no Brasil em comparação com o período das cédulas de papel. Segundo ele, a tecnologia reduziu problemas ligados à adulteração de votos, mas não eliminou outras distorções do processo eleitoral. O parlamentar afirmou que os desafios atuais estão ligados à compra de votos e a volumes de recursos de caixa 2.
Luiz Paulo criticou a diferença entre campanhas com grande estrutura financeira e candidaturas que disputam com menos recursos. Para ele, essa assimetria interfere na disputa e compromete a igualdade entre os concorrentes. Professor Josemar seguiu na mesma linha e afirmou que recursos não declarados ampliam ainda mais o desequilíbrio.
“É o famoso caixa 2, que gera campanhas milionárias que são feitas por fora da própria situação do TRE, ou seja, são campanhas que não são declaradas”, disse.
O parlamentar do PSOL também chamou atenção para a transferência de seções eleitorais em áreas sob influência de milícias ou facções criminosas. Embora tenha reconhecido a necessidade de proteger eleitores de possíveis pressões, ele alertou para as dificuldades criadas para quem vive em áreas com transporte público precário.
Como exemplo, citou eleitores do Salgueiro, em São Gonçalo, que precisaram se deslocar até Boa Vista para votar. Segundo ele, alguns trajetos podem exigir vários quilômetros, o que dificulta a participação de pessoas com menos recursos. Josemar defendeu transporte gratuito e linhas especiais no dia da votação para garantir o acesso das comunidades aos locais de voto.
Ele ainda mencionou dificuldades enfrentadas por populações ribeirinhas e indígenas na Região Norte, que, segundo seu relato, tiveram o acesso ao voto prejudicado após mudanças de seções eleitorais. Para o deputado, segurança e deslocamento precisam ser tratados de forma conjunta no processo eleitoral.
Meta e impacto dos algoritmos
Na parte final da fala, Luiz Paulo voltou o foco para as plataformas digitais, com críticas à Meta, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp. Ele disse ter acompanhado relatos sobre falhas nos algoritmos da empresa e questionou os efeitos disso sobre a visibilidade de candidatos durante a campanha.
“A própria Meta admitiu sucessivos erros no processamento dos seus algoritmos, que evidentemente perturbou a campanha X ou Y. E quando você dificulta Y, você está favorecendo a X”, afirmou.
O deputado defendeu maior rigor sobre a atuação das plataformas, diante do peso crescente das redes sociais no processo eleitoral. Para ilustrar a mudança no comportamento do eleitor, apresentou resultados de uma consulta feita em suas próprias redes, na qual mais de 90% dos participantes disseram ter conhecido sua candidatura e suas atividades parlamentares pela internet.
Segundo ele, rádio e televisão somaram 2,5% das respostas, a mídia impressa cerca de 2% e a panfletagem nas ruas 1,5%. Luiz Paulo reconheceu que o levantamento não pode ser generalizado, mas afirmou que ele mostra a força das plataformas digitais na comunicação política.
“Se você está na rede de maneira forte, não quer dizer que você vai ganhar eleição, mas se não tiver, você vai perder”, avaliou.
O deputado também falou sobre os custos do impulsionamento de publicações e defendeu regras mais transparentes para a divulgação de conteúdos políticos. Para ele, o crescimento desse modelo exige fiscalização e controle sobre o funcionamento dos algoritmos e sobre a distribuição de informações nas redes.
“Esse sistema de divulgação em rede tem que estar devidamente controlado e, mais do que isso, ser absolutamente transparente”, concluiu.



