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Carlos Minc pode deixar a Alerj com Medalha Tiradentes

Deputado não se reelegeu e foi indicado por Élika Takimoto para receber a maior honraria do Legislativo fluminense.

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Carlos Minc pode deixar a Alerj com Medalha Tiradentes
Foto: Reprodução

O deputado estadual Carlos Minc (PSB), que não conseguiu se reeleger para a próxima legislatura, pode deixar a Alerj com a Medalha Tiradentes, maior condecoração do Legislativo fluminense. A indicação foi apresentada pela deputada Élika Takimoto (PT) e marca a despedida do parlamentar da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Minc disse ter ficado surpreso com a proposta, já que ao longo da carreira costumou apresentar homenagens a outras personalidades. Ele lembrou nomes como Chico Mendes, Herbert de Souza, Marisa Monte e Ney Matogrosso entre as indicações que fez ao longo do mandato. “Fiquei emocionado com a proposição da deputada. Eu nunca estive nesse papel, geralmente eu estou no papel inverso”, afirmou.

A deputada justificou a homenagem com base na trajetória do parlamentar em pautas ligadas ao meio ambiente, aos direitos sociais e à defesa da democracia. Na avaliação de Élika Takimoto, a Medalha Tiradentes reconhece uma atuação marcada por “coragem e compromisso com a democracia, a justiça social e a defesa do meio ambiente”.

Na justificativa apresentada à Assembleia, ela também destacou a participação de Minc na resistência à ditadura militar, sua atuação na formulação de políticas ambientais e a passagem por cargos no Executivo estadual e federal. O texto menciona ainda a produção acadêmica do deputado e sua contribuição para políticas públicas voltadas à preservação ambiental e à sustentabilidade.

Nascido no Rio de Janeiro em 12 de julho de 1951, Carlos Minc é geógrafo, economista e professor universitário. Sua trajetória política começou na juventude, quando participou do movimento estudantil e da resistência ao regime militar. Em 1969, aos 18 anos, foi preso por sua militância política e, no ano seguinte, integrou o grupo de 40 presos políticos libertados em troca do embaixador da Alemanha Ocidental.

Durante o exílio, concluiu o mestrado em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Técnica de Lisboa e o doutorado em Economia do Desenvolvimento pela Universidade de Paris. Depois de retornar ao Brasil, em 1979, passou a lecionar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 1986, participou da fundação do Partido Verde, ao lado de Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, e foi eleito deputado estadual pela primeira vez. Ao longo da carreira, apresentou propostas legislativas nas áreas de proteção ambiental, direitos humanos e saúde pública. Também ocupou a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro entre 2007 e 2008, e novamente entre 2011 e 2014.

Trajetória no governo federal e saída da Alerj

No governo federal, Minc assumiu o Ministério do Meio Ambiente em maio de 2008, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sucedendo Marina Silva. Ele permaneceu no cargo até março de 2010. Sua gestão coincidiu com a redução do desmatamento na Amazônia entre agosto de 2008 e julho de 2009, além de iniciativas ligadas ao Fundo Amazônia e à política nacional de mudanças climáticas.

Sem mandato na próxima legislatura, o deputado afirmou que pretende seguir na vida pública. Entre as possibilidades citadas, está a Fundação João Mangabeira, instituição vinculada ao PSB e dedicada à formação política e à formulação de políticas públicas. Ele também mencionou a chance de assumir uma responsabilidade na área de sustentabilidade ligada à nova reitoria da UFF.

Ao falar sobre a despedida da Assembleia, Minc disse que a homenagem faz lembrar a atuação parlamentar ao longo dos anos. “Essa despedida daqui como homenagem, sim, sempre é algo que mexe com a gente, e faz lembrar de muita coisa que a gente fez aqui, leis, audiências, manifestações, em suma, um espaço público que a gente viveu intensamente nesses anos todos”, declarou.