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Arquivo da Alerj guarda documentos da política fluminense desde 1856

Acervo reúne atas, CPIs e processos do período anterior à fusão de 1975; cerca de 90% do material segue em papel e aguarda digitalização.

fabricio · 3 min de leitura
Arquivo da Alerj guarda documentos da política fluminense desde 1856
Foto: Reprodução

O arquivo da Alerj preserva documentos que cobrem mais de 150 anos da história política do Rio de Janeiro. O acervo da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro reúne atas, processos administrativos e registros de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), com materiais que datam de 1856.

Esses registros ajudam a reconstituir decisões políticas e mudanças na administração pública fluminense. Além disso, mostram como diferentes instituições atuaram ao longo do tempo.

Um acervo que atravessa diferentes estruturas políticas

Parte dos documentos é anterior à fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, realizada em 1975. Entre os itens, há materiais do antigo Estado do Rio, cuja capital era Niterói, da Assembleia Legislativa da Guanabara e da antiga Câmara Municipal do Distrito Federal.

O acervo também inclui uma monografia de Admar Morpurgo, que sintetiza 200 biografias de parlamentares da década de 1940. Outro conjunto é formado pelas publicações da Pesquisa Legislativa, que registram atividades das legislaturas e servem de consulta sobre a atuação parlamentar.

Há ainda documentos do processo de impeachment do ex-governador Wilson Witzel, concluído em 2021.

Para o historiador Douglas Libório, a variedade de registros permite investigar vários momentos da política estadual. Segundo ele, o material não pode ser lido de forma linear.

“O arquivo acompanha a própria história da cidade do Rio de Janeiro, que já foi capital do Brasil (…). É um acervo que não pode ser compreendido de forma linear, mas a partir de rastros, fragmentos e camadas que revelam as diferentes facetas da história política fluminense”, explicou.

Dimensão do material surpreende a diretora

A diretora do arquivo, Evelin Marinho, ocupa o cargo desde 2022. De acordo com ela, o valor do acervo vai além do volume de papéis guardados. Ela afirmou que só percebeu a importância do setor ao conhecer a equipe e o material.

“Só quando fui conhecer os funcionários e o material que estava guardado, percebi que ali está o coração do Legislativo. Tenho documentos desde 1856. (…) Todo o nosso acervo daria 20 voltas no Estádio do Maracanã”, afirma.

Vale lembrar que, até 2021, os documentos ficavam no térreo do Palácio Tiradentes. Desde então, o arquivo funciona na atual sede da Alerj, no Edifício Lúcio Costa, no Centro do Rio.

Digitalização é a principal demanda

Apesar da relevância histórica, cerca de 90% do acervo continua em formato físico. Por isso, a digitalização é uma das principais demandas do setor, já que ampliaria as possibilidades de consulta e facilitaria o acesso de pesquisadores.

Evelin defende a criação de uma plataforma digital para reunir os documentos. “Meu sonho é digitalizar e colocar tudo em um portal”, afirma.

Enquanto isso não acontece, quem deseja pesquisar precisa recorrer ao atendimento do arquivo. O procedimento exige uma solicitação formal à Assembleia e o acompanhamento da consulta no local. “Eu pego a pesquisa dele, solicito à Casa por processo e levo o historiador até o material físico”, conclui a diretora.