Rua dos Ciganos: decreto de 1760 confinou ciganos no Centro do Rio
Hoje chamada Rua da Constituição, a via foi o único endereço permitido à comunidade cigana no Rio e ainda guarda vestígios dessa história.

A Rua dos Ciganos, no Centro do Rio de Janeiro, recebeu esse nome por causa de um decreto de 1760, no qual o rei Dom José I, de Portugal, determinou que a comunidade cigana da cidade só poderia morar naquela via. Hoje conhecida como Rua da Constituição, ela ainda preserva marcas dessa história.
Os povos ciganos são conhecidos pela cultura itinerante e estão presentes no Rio desde o período colonial. Apesar disso, por determinação oficial, boa parte dessa população foi obrigada a viver concentrada em um único endereço.
A antiga denominação da rua foi lembrada em uma placa instalada pela prefeitura em 2016. Segundo o registro, a via só passou a se chamar Rua da Constituição depois de mudar de nome.
Na Rua dos Ciganos, os moradores desenvolviam atividades de comércio e artesanato. Além disso, participavam da vida cultural e festiva da cidade.
Com o passar do tempo, a importância do grupo ganhou reconhecimento. Em 1815, por exemplo, o rei D. João VI decidiu visitar a rua durante celebrações da Coroa.
A mudança de nome ocorreu pouco depois da independência do Brasil. A nova denominação homenageia a primeira Carta Constitucional, outorgada por Dom Pedro I em 1824. Mesmo assim, a herança cigana da região continua visível.
A memória cigana no Centro, porém, não se limita ao patrimônio histórico e à sinalização municipal. Ela também aparece no cotidiano da região.
Durante as obras do VLT carioca, equipes encontraram sob o asfalto o calçamento original da Rua dos Ciganos, do século XVIII. O achado arqueológico preserva o piso por onde circulavam os moradores da época.
Por fim, o passado se conecta ao presente por meio das pessoas. No eixo formado pela Rua da Constituição, pela Praça Tiradentes e pelo Campo de Santana, descendentes da comunidade cigana seguem vivendo e trabalhando.