Lula em Juiz de Fora diz que Flávio pode destruir conquistas
Em ato de campanha em Minas Gerais, presidente associou o segundo turno à defesa de direitos trabalhistas e da soberania nacional.

O presidente Lula (PT) elevou o tom contra Flávio Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira (16), durante ato de campanha em Minas Gerais. Em Lula em Juiz de Fora foi o tema central do dia: diante de apoiadores, ele afirmou que uma vitória do adversário no segundo turno pode colocar em risco direitos trabalhistas e conquistas sociais acumuladas ao longo de décadas.
“Construir qualquer coisa é muito difícil, mas destruir é muito fácil”, disse o presidente. Com a frase, ele defendeu a continuidade das políticas do seu governo e alertou para o que considera ameaças do retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
Bandeira do Brasil e discurso de soberania
Durante o percurso pelas ruas da cidade, Lula empunhou uma bandeira do Brasil. Além disso, outra bandeira nacional foi colocada no capô do carro que o transportava. O símbolo ganhou destaque no discurso, no qual o petista ligou a disputa eleitoral à defesa da soberania.
“Ou é a bandeira brasileira que vai tremular ou a bandeira americana, se eles ganharem as eleições. É isso que está em jogo”, declarou. A fala faz referência às relações políticas entre integrantes do bolsonarismo e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Direitos trabalhistas no centro da fala
A caminhada começou na Praça Clodesmidt Riani, nome dado em homenagem a um sindicalista mineiro que participou da mobilização pelo 13º salário, em 1962. Aproveitando a referência histórica, Lula argumentou que os avanços sociais do país resultaram de anos de organização dos trabalhadores.
“Não há nada nesse país que os trabalhadores conquistaram que não foi com luta. E hoje conquistamos o fim da escala 6×1”, comemorou.
O presidente destacou a mudança na jornada, que prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial. Ele também citou a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde entre as conquistas que pretende preservar.
Segundo Lula, a eleição de Flávio Bolsonaro poderia abrir caminho para a revisão desses direitos. Essa advertência faz parte da estratégia de campanha do petista, que associa a continuidade de seu governo à manutenção de programas sociais.
Pedido de mobilização a indecisos
Com a votação marcada para 25 de outubro, Lula convocou os apoiadores a intensificar a campanha. O foco, de acordo com ele, deve ser nos eleitores que se abstiveram no primeiro turno ou que ainda não decidiram o voto.
“É muito importante que a gente faça um trabalho de convencer as pessoas a irem votar no dia 25, porque as pessoas precisam saber que o que está em risco é o futuro deste país”, afirmou.
Por outro lado, o presidente recomendou que os militantes evitem discussões com eleitores contrários à sua candidatura. Em vez disso, orientou que apresentem realizações de seus governos, como o Farmácia Popular, o Samu, os investimentos em educação e a valorização do salário mínimo.
Lula afirmou ainda que uma derrota poderia comprometer projetos e investimentos em Minas Gerais. Ele chegou a mencionar o risco de o estado virar um “cemitério de obras paralisadas”.
Terras raras e ajuda após as chuvas
A defesa das riquezas nacionais também apareceu no episódio da série Revelando, divulgado nesta sexta, com apresentação do ator Wagner Moura. O programa trata dos interesses americanos nas reservas brasileiras de terras raras e das relações entre aliados de Trump e integrantes do bolsonarismo.
Antes de seguir para outro compromisso de campanha, em Ipatinga, Lula agradeceu a recepção em Juiz de Fora. Ele prometeu, ainda, manter o apoio federal à recuperação dos danos causados pelas chuvas no município.
“O povo de Juiz de Fora pode ficar tranquilo que não faltará ajuda do governo federal para recuperar os estragos da calamidade”, assegurou.



