Cinema Azteca, no Catete, fechou em 1973 e deu lugar a galeria
Inspirado em templos pré-colombianos, o antigo cinema de rua da Zona Sul do Rio foi demolido, mas parte de sua decoração ainda é guardada por moradores.

O Cinema Azteca, inaugurado em 1951 no Catete, na Zona Sul do Rio de Janeiro, fechou as portas em maio de 1973 e foi demolido. No lugar, funciona hoje o condomínio comercial Galeria Catete 228.
Durante décadas, as salas de cinema de rua estiveram entre as principais opções de lazer dos cariocas. Elas recebiam multidões todos os dias, em sessões realizadas tanto durante o dia quanto à noite.
No caso do Cinema Azteca, porém, a programação não era o único atrativo. O prédio foi erguido pelo grupo mexicano que abriu a Distribuidora Pelmex e tinha uma arquitetura singular.
O edifício tinha acabamento luxuoso, com peças trazidas de fora do país, e imitava a imponência de um templo pré-colombiano. Por causa disso, a sala, com capacidade para quase 2 mil lugares, costumava ficar lotada.
Com o passar dos anos, no entanto, o público diminuiu de forma gradual. Como consequência, o estabelecimento encerrou as atividades em 1973 e passou pelo processo de demolição.
Assim, o antigo palácio cinematográfico desapareceu da paisagem do Catete. Atualmente, o terreno abriga um prédio de linhas retas e fachada cinzenta, bem diferente do visual do antigo cinema.
Apesar disso, o Cinema Azteca não sumiu por completo. Segundo relatos históricos, pedestres e moradores do bairro guardaram fragmentos do edifício depois da demolição.
Os itens resgatados dos escombros são, em sua maioria, elementos das paredes internas e externas. Entre eles estão frisos com padrões geométricos e blocos de gesso e pedra esculpidos com rostos de divindades astecas.
Mais de cinco décadas depois, muitos desses fragmentos continuam preservados. Eles são mantidos como relíquias de valor afetivo em coleções privadas de moradores veteranos do Catete.