Botafogo teme corte na base e no feminino com fim das bets
Clube levou ao STF o impacto da proibição das apostas esportivas e pediu a suspensão da medida provisória.

O Botafogo afirmou nesta terça-feira (3) que a proibição das bets pode afetar investimentos nas categorias de base e no futebol feminino. A declaração ocorreu durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.
Representantes da SAF disseram que o fim do principal contrato de patrocínio do clube ameaça receitas usadas no planejamento financeiro. O acordo era firmado com a Vbet, e a marca deixou de aparecer na camisa no início de outubro, após as restrições entrarem em vigor.
Impacto financeiro alegado pelo clube
O advogado Bichara Abidão Neto afirmou que o encerramento do contrato representou a perda do maior acordo comercial da história do Botafogo. Segundo ele, a receita também ajudava a financiar a base e a equipe feminina.
Além disso, o advogado relacionou a perda do patrocínio à situação financeira da SAF, que está em recuperação judicial. Ele disse que o plano apresentado à Justiça considerava os valores do contrato para organizar o fluxo de caixa e cumprir compromissos.
“É uma conclusão muito lógica que, ao diminuir a receita do clube como um todo, a base e o feminino vão ser os primeiros a sofrer essa perda”, afirmou Bichara no plenário.
O clube sustenta que a proibição das bets pode comprometer áreas além do futebol masculino. Assim, a direção citou a importância do contrato para toda a estrutura esportiva mantida pela SAF.
Pedido ao STF
Ao fim da manifestação, Bichara pediu que o STF suspenda os efeitos da medida provisória que proíbe a operação das bets no país. Como alternativa, ele solicitou que a Corte leve em conta o calendário do futebol brasileiro e a duração dos contratos já firmados.
“O Botafogo entende que os efeitos dessa medida provisória precisam ser urgentemente suspensos”, disse o advogado. “Se Vossa Excelência entender por não suspender os efeitos integrais da Medida Provisória, que ao menos observe o calendário do futebol brasileiro e observe também a duração dos contratos já celebrados.”
A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux para discutir os efeitos da Medida Provisória 1.394/2026. A norma proibiu a exploração das apostas e encerrou as autorizações das empresas do setor.
Além do Botafogo, Flamengo e Fluminense também participaram do debate. O Vasco e clubes de outros estados foram convidados a apresentar manifestações. Enquanto isso, a discussão reúne argumentos sobre endividamento das famílias, saúde pública e impactos econômicos.
No futebol, as casas de apostas se tornaram patrocinadoras importantes de clubes e competições. Por isso, a interrupção desses acordos já mobilizou equipes do Rio. O STF ainda vai analisar os argumentos apresentados nas ações que questionam a medida.



