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Derrota de Flávio Bolsonaro ameaça filme sobre Jair Bolsonaro

A cinebiografia Dark Horse enfrenta incertezas sobre estreia, financiamento e possível migração para o streaming.

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Derrota de Flávio Bolsonaro ameaça filme sobre Jair Bolsonaro
Foto: Reprodução

A filme sobre Jair Bolsonaro ganhou novas incertezas após a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. O projeto Dark Horse, cinebiografia sobre a trajetória política do ex-presidente, tinha estreia prevista para o primeiro semestre de 2027.

Agora, porém, o lançamento nos cinemas brasileiros enfrenta dúvidas ligadas ao resultado eleitoral e ao avanço das investigações sobre o financiamento da obra. A distribuidora Europa Filmes também teme uma decisão judicial que possa bloquear receitas e afetar o investimento no lançamento.

Estreia nos cinemas pode mudar

Nos bastidores, uma das alternativas avaliadas inclui levar Dark Horse diretamente para plataformas de streaming. Essa possibilidade ganhou força diante dos riscos jurídicos e financeiros associados ao projeto.

O caso também passou a ser um ponto de desgaste na campanha de Flávio Bolsonaro. Isso ocorreu depois da divulgação de áudios em que o senador cobra dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A revelação levou à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal. Além disso, Flávio e o irmão, Eduardo Bolsonaro, passaram a ser investigados por suspeitas de corrupção ativa e passiva, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Investigação sobre o financiamento

Uma das linhas de apuração da Polícia Federal busca esclarecer se recursos enviados por Vorcaro ao fundo Havengate foram usados no financiamento do filme. Os investigadores também querem saber se houve desvio para outras finalidades.

A PF ainda analisa a possível relação entre transferências feitas no exterior e valores recebidos no Brasil pela Go Up Entertainment, responsável pela produção. O trabalho inclui mais de 20 mil páginas de documentos, entre contratos de câmbio, notas fiscais e comprovantes de despesas.

A perícia financeira deve examinar sete remessas ao fundo Havengate, que somam US$ 12,3 milhões. Segundo a investigação, o dinheiro foi depositado no exterior pelo operador Antônio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, a pedido de Vorcaro.

Mineiro firmou acordo de colaboração premiada. Enquanto isso, a apuração tenta identificar se existe ligação contábil direta com os recursos destinados à produção de Dark Horse.

Custos e projeções do projeto

Um levantamento contratado pela própria Go Up apontou que 72% dos gastos ocorreram nos Estados Unidos. Isso aconteceu mesmo com gravações realizadas no Brasil.

O custo total estimado chegou a US$ 13,39 milhões, cerca de R$ 75,1 milhões. Além disso, a chamada pré-produção conceitual consumiu US$ 2,68 milhões, o equivalente a cerca de 20% do orçamento.

Em produções desse porte, essa etapa costuma representar entre 3% e 5% dos gastos totais. Por isso, o valor chamou atenção de produtores do mercado audiovisual.

As projeções comerciais também entraram na mira dos investigadores. Segundo relatório da PF divulgado em setembro por decisão do ministro André Mendonça, o plano de negócios previa arrecadação entre US$ 45 milhões e US$ 100 milhões.

No cenário mais otimista, a bilheteria superaria em mais de três vezes o recorde do cinema nacional. Esse recorde pertence a Minha Mãe é uma Peça 3, que arrecadou aproximadamente R$ 120 milhões em 2019.

Para os investigadores, a distância entre as projeções e os padrões habituais do mercado brasileiro reforça a necessidade de apurar a viabilidade econômica do projeto. Também pesa a análise sobre a finalidade das operações financeiras ligadas ao filme sobre Jair Bolsonaro.