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museus e patrimônio exigem autocrítica sobre acesso e território

Texto discute a distância entre instituições culturais e periferias, além da necessidade de territorializar acervos e ampliar o acesso.

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museus e patrimônio exigem autocrítica sobre acesso e território
Foto: Reprodução

O debate sobre museus e patrimônio exige uma autocrítica que vá além das tragédias. A reflexão aparece diante das eleições de 2026 e do afastamento entre instituições culturais e territórios populares. O texto defende que a presença do Estado precisa alcançar, de forma concreta, as periferias e as cidades da região metropolitana.

O autor sustenta que a política cultural não pode depender apenas de discursos sobre diversidade. Além disso, afirma que o acesso real envolve gratuidade, proximidade e permanência. Segundo o texto, a distribuição desigual da oferta cultural ajuda a explicar resistências em áreas metropolitanas habitadas por trabalhadores.

Mapas eleitorais e fraturas sociais

O artigo relaciona o resultado das urnas em 2026 com fraturas territoriais que o poder público não deveria ignorar. Lula venceu nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas Flávio Bolsonaro teve vantagem em todos os 13 municípios da Baixada Fluminense. No Distrito Federal, Lula venceu apenas nas zonas ligadas às asas Sul e Norte.

No Rio, o presidente virou o resultado da capital, porém o adversário venceu nas quatro zonas eleitorais de Campo Grande. Também houve vantagem em boa parte da Zona Oeste. De acordo com o texto, isso não prova relação direta com a política cultural, mas aponta um Estado distante de muitos territórios populares.

Periferia, acesso e presença pública

O autor diz conhecer a Baixada Fluminense e outras periferias brasileiras como espaços de vida, memória e trabalho. Por outro lado, destaca que a presença continuada do poder público costuma ser rara e burocrática. Nesse vazio, entram redes comunitárias, projetos sociais, lideranças locais e experiências religiosas.

O texto critica a distância entre museus e população. Também afirma que a inacessibilidade não é apenas física ou financeira, mas simbólica. Há instituições formalmente abertas, porém com linguagens e rituais que afastam visitantes populares.

Essa distância aparece na sétima edição da pesquisa Hábitos Culturais, feita pelo Observatório Fundação Itaú em parceria com o Datafolha. Entre 7 e 20 de julho de 2026, foram ouvidas 2.448 pessoas de 16 a 65 anos em 137 municípios. O levantamento mostra que 97% das classes A e B participaram de alguma atividade cultural presencial nos doze meses anteriores. Já nas classes D e E, o índice ficou em 82%.

O que a população pede

Quando perguntados sobre prioridades culturais, os entrevistados apontaram necessidades objetivas. A criação ou ampliação de atividades gratuitas recebeu 42% das respostas. Além disso, 32% citaram novos equipamentos públicos e 28% pediram reforma dos espaços existentes.

O texto defende que a cultura precisa olhar para território, renda e infraestrutura. Também critica o uso isolado de pautas identitárias, quando elas não chegam às cidades e bairros mais afastados. Para o autor, reconhecer desigualdades raciais e de gênero continua importante, mas isso não substitui políticas de acesso.

Na avaliação apresentada, editais e programas podem selecionar poucos projetos e ainda assim deixar milhares de pessoas de fora. Dessa forma, a identidade vira uma senha administrativa, e não um caminho de inclusão. O argumento central é que a maior parte da população continua fora das decisões, dos recursos e dos equipamentos.

Museus fora do eixo

O texto também propõe pensar a circulação dos acervos. Quando um objeto não puder sair, ele pode alcançar o público por reproduções, exposições digitais e ações educativas. Quando houver segurança, o acervo deve chegar a escolas, bibliotecas e centros culturais.

Entre os exemplos citados, está o Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu, inaugurado em 30 de abril de 2026. O espaço funciona no Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha, em Tinguá, e reúne parte de um acervo com mais de 200 mil fragmentos encontrados na região. A visitação é gratuita de sexta a domingo.

Segundo o texto, a experiência mostra público, interesse e pertencimento fora da capital. Também derruba a ideia de que camadas populares rejeitam assuntos complexos. O autor afirma que o problema não é o gosto do público, mas a distribuição desigual da oferta cultural.

Na parte final, a proposta é rever a estrutura institucional da área. O texto menciona o Iphan e o Ibram, além da criação de um observatório nacional de patrimônios e coleções em risco. A ideia é reunir dados, mapear acervos e ampliar a capacidade de resposta do poder público.

Por fim, o autor defende discutir seriamente a reorganização institucional do setor. A conclusão aponta que museus e patrimônio precisam sair da lógica concentrada e alcançar os territórios onde a presença do Estado ainda é frágil.