Rio estreia tecnologia para bloquear celulares em presídios
Sistema do governo federal identifica aparelhos clandestinos e acelera o bloqueio administrativo em unidades prisionais.

O Rio de Janeiro foi o primeiro estado do país a usar uma tecnologia de bloqueio de celulares em presídios. A operação começou em 14 de outubro e teve como alvo a facção Povo de Israel, segundo o texto original. Em duas semanas, o sistema bloqueou 1.172 aparelhos em três estados.
A ação recebeu o nome de Operação Modo Avião. Além disso, o governo federal usa equipamentos portáteis para localizar sinais clandestinos sem entrar nas celas. Depois da identificação, o bloqueio pode ocorrer em até 30 minutos, por meio de procedimento administrativo na Anatel.
Rio concentra parte dos bloqueios
No Rio de Janeiro, 700 celulares já tiveram o acesso à rede móvel interrompido, de acordo com a Secretaria de Estado de Polícia Penal. O resultado reforça o combate à comunicação clandestina entre presos e integrantes de organizações criminosas fora dos presídios.
A estreia ocorreu em uma unidade prisional fluminense que abriga integrantes do Povo de Israel. Durante a noite e a madrugada, policiais penais circularam pelo perímetro do presídio com uma mochila equipada com sistema eletrônico. O equipamento simulou uma antena de telefonia e encontrou 143 celulares clandestinos em poucas horas.
As autoridades não informaram o nome da unidade, por razões operacionais. Enquanto isso, operações convencionais feitas entre maio e setembro em 31 unidades do Rio apreenderam 228 aparelhos físicos. Mais de mil policiais participaram dessas ações.
Como funciona a tecnologia
O sistema identifica o IMEI, código de 15 dígitos que individualiza cada celular. Além disso, ele reúne dados sobre linhas e modelos dos aparelhos. Essas informações seguem para as autoridades penitenciárias, que pedem o bloqueio à Anatel.
O procedimento mudou após decreto assinado por Luiz Inácio Lula da Silva em 9 de outubro. Dessa forma, o bloqueio administrativo passou a dispensar autorização judicial específica para celulares identificados dentro dos presídios.
A operação usa equipamentos chamados Etre, sigla para Equipamento Tático de Revista Eletrônica. O governo federal tem 15 mochilas com essa tecnologia, compradas por cerca de R$ 3,8 milhões cada uma.
Segundo o texto, os dispositivos identificam sinais de aparelhos com tecnologia 5G, além de roteadores e relógios inteligentes. Antes, o modelo antigo reconhecia apenas sinais até a geração 3G. Portanto, a atualização ampliou o alcance da fiscalização dentro do sistema prisional.
“Não tem nada mais revolucionário do que isso [o bloqueio administrativo]”, afirmou André Garcia.
O secretário nacional de Políticas Penais disse ainda que as mochilas já circulam pelo país. De acordo com ele, a Polícia Penal Federal opera essas ações em diferentes estados.
Expansão para outros estados
Além do Rio, Rio Grande do Sul e Minas Gerais já usam a plataforma da Anatel para pedir o bloqueio. Juntos, os três estados somaram 1.172 aparelhos bloqueados em cerca de duas semanas.
O governo federal também mapeou 138 presídios estratégicos para aplicar a tecnologia. Sobretudo, o foco recai sobre unidades que concentram lideranças de facções criminosas. Antes do bloqueio, os agentes verificam se o aparelho pertence de fato a alguém dentro da unidade.
Assim, a medida evita atingir servidores penitenciários e moradores próximos aos presídios. Glautter Morais explicou que o Etre não interfere na rede móvel ao redor dos estabelecimentos penais. Por isso, a tecnologia não prejudica usuários que estejam nas imediações.



