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UniCesumar expulsa alunos por ataques a bolsistas e apologia ao nazismo

A universidade aplicou também suspensões e advertências após sindicância interna sobre mensagens em um grupo de WhatsApp da turma.

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UniCesumar expulsa alunos por ataques a bolsistas e apologia ao nazismo
Foto: Reprodução

A UniCesumar expulsou alunos de medicina expulsos no Paraná após ataques a colegas bolsistas e a divulgação de conteúdo associado ao nazismo. A universidade também aplicou suspensões e advertências, conforme a gravidade das condutas apuradas em sindicância interna. As punições foram anunciadas neste sábado (31), um dia depois da conclusão da investigação administrativa.

De acordo com a instituição, a sindicância terminou em 30 de outubro. A universidade não informou quantos estudantes receberam cada penalidade. Além disso, o caso também entrou na mira do Ministério Público Federal (MPF) e motivou manifestação do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR).

Mensagens em grupo de WhatsApp

As mensagens circularam no domingo (25), durante discussões ligadas às eleições. Nas conversas, alguns estudantes atacaram colegas que ingressaram na universidade por programas sociais. Eles também compararam a capacidade de pagar mensalidades com mérito acadêmico.

Em uma das mensagens, um participante escreveu: “Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha”. Outra estudante contestou a fala e criticou a discriminação contra quem não consegue arcar integralmente com o curso. “Virou bonito ofender quem não tem dinheiro para pagar toda a mensalidade, como vocês? Todo mundo aqui vai sair com CRM [registro profissional para exercer a medicina]”, respondeu.

Apologia ao nazismo agrava o caso

Além das ofensas socioeconômicas, o grupo compartilhou imagens e expressões ligadas ao nazismo e a movimentos supremacistas brancos. Uma das mensagens trazia uma fotografia do Exército nazista, com referências ao chamado “leite cru”. A expressão aparece em certos grupos extremistas na internet e se relaciona a discursos de supremacia branca.

O MPF confirmou que recebeu denúncia sobre o episódio e apura os fatos. A identidade dos estudantes não foi divulgada, diante das investigações em andamento e da possibilidade de participação de menores de idade. Um aluno ouvido sob anonimato disse que autores e atingidos deixaram de frequentar a instituição desde que o caso ganhou repercussão.

“É um clima hostil na faculdade, um clima hostil nos grupos, que vai muito além de divergências políticas. Parece que o contexto da eleição foi apenas um pretexto para eles extravasarem o ódio às pessoas mais pobres”, afirmou.

Universidade e conselho reagem

Em nota, a UniCesumar informou que a reitoria adotou as medidas recomendadas pela comissão responsável pela apuração. A instituição afirmou ainda que repudia qualquer forma de discriminação. Também disse que mantém o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) disponível para acolhimento e orientação.

O CRM-PR também criticou as manifestações. Segundo o conselho, estudantes devem exercer suas atividades sem discriminação e com respeito à dignidade humana. A entidade afirmou que a escolha pela Medicina exige compromisso humanístico e humanitário, além de atuação voltada ao bem-estar físico, mental e social.

Por isso, o órgão classificou as atitudes discriminatórias como incompatíveis com a formação médica. Além disso, o conselho afirmou que esse tipo de conduta não deve ser tolerado no ambiente acadêmico. O caso continua sob apuração do MPF.