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Itamaraty orienta Lula a evitar resposta a Trump e Milei

Governo quer conter desgaste diplomático após a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo a Miami.

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Itamaraty orienta Lula a evitar resposta a Trump e Milei
Foto: Reprodução

O Itamaraty e Lula adotam uma estratégia de contenção após as provocações de Donald Trump e Javier Milei. A orientação, segundo a diplomacia brasileira, é não transformar a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil em crise pública.

A avaliação no governo é que uma reação direta pode ampliar a repercussão política do episódio. Além disso, esse movimento daria espaço para adversários do presidente brasileiro.

Por isso, a ordem é manter o caso na esfera judicial. Integrantes do governo consideram que um confronto público serviria como palanque para opositores.

Saída de Flávio e decisão do STF

Flávio Bolsonaro chegou a Miami na manhã de quarta-feira, após a viagem citada na apuração. O episódio ocorreu dois dias depois de uma decisão de Alexandre de Moraes.

O ministro do Supremo Tribunal Federal determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal. Além disso, proibiu sua saída do território brasileiro.

Flávio responde a dois inquéritos no STF. Um deles investiga suspeitas ligadas aos R$ 134 milhões solicitados a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse.

O outro apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de empresas de apostas esportivas. O senador também pode perder o foro privilegiado em 31 de janeiro de 2027.

Movimentação diplomática e G20

Na quinta-feira, Lula se reuniu com o chanceler Mauro Vieira antes da viagem a Atlanta, nos Estados Unidos. O ministro participa da reunião de chanceleres do G20.

O encontro terá como anfitrião Marco Rubio, secretário de Estado americano. O governo brasileiro o vê como um aliado da família Bolsonaro e como interlocutor influente junto a Trump.

Embora não houvesse reunião oficial marcada, havia expectativa de conversa entre Mauro Vieira e Rubio. Ainda assim, o Planalto quer evitar que a fuga de Flávio vire disputa diplomática.

A leitura no governo também considera as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. As midterms estão marcadas para terça-feira, dia 3.

Auxiliares de Lula esperam perda de espaço do Partido Republicano no Congresso americano. Dessa forma, acreditam que o cenário pode mudar a relação de Trump com o Brasil.

O governo, porém, avalia que a votação não mudará diretamente o tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

Pressão política e reação do PT

Outro fator levado em conta é que Trump e Milei ainda não reconheceram a vitória de Lula. No segundo turno, Lula recebeu 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos.

Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%. Na quarta-feira, ele publicou uma carta em que se apresentou como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.

Depois, o texto passou por quatro versões. Na redação final, o senador abandonou a expressão e passou a se definir como “líder do Brasil”.

Trump já chamou as eleições brasileiras de “vergonha”. Lula, no entanto, não respondeu publicamente às declarações.

A tensão também pode atrasar a análise do agrément para Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada americana no Brasil. O governo brasileiro ainda não avançou na avaliação do nome.

Em agosto, os Estados Unidos revogaram o visto de múltiplas entradas da embaixadora Maria Luiza Viotti. A medida foi vista como retaliação à demora na aprovação de Perez.

Enquanto isso, a direção do PT também cobrou atenção à atuação de Trump. Em resolução aprovada pela Executiva Nacional, o partido afirmou que o Brasil não aceitará interferência estrangeira.

O documento sustenta que disputas políticas não justificam desrespeito à vontade dos eleitores. Para o partido, a busca de apoio externo representa nova etapa da reação ao resultado das urnas.