Deputados dos EUA cobram explicações sobre ajuda a Flávio Bolsonaro
Parlamentares democratas querem saber se o governo americano auxiliou a saída do senador do Brasil após a eleição.

Um grupo de 25 deputados democratas dos Estados Unidos cobrou explicações sobre a possível ajuda do governo de Donald Trump a Flávio Bolsonaro. A carta foi enviada na quinta-feira (29) ao secretário de Estado, Marco Rubio, e trata da saída do senador do Brasil após a derrota nas eleições presidenciais.
Os parlamentares querem saber se autoridades americanas ajudaram o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a deixar o país e entrar nos Estados Unidos. Além disso, eles citam a decisão do STF que determinou a entrega dos passaportes de Flávio e restringiu suas viagens internacionais.
Questionamentos ao Departamento de Estado
No documento, os deputados perguntam se o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou outra agência do governo americano atuou na viagem. Eles também pedem uma reunião com o departamento até 13 de novembro.
A carta solicita respostas por escrito até essa mesma data. Segundo os congressistas, a apuração precisa esclarecer quem autorizou a eventual decisão e quando os vistos foram concedidos.
Os democratas também querem saber se o governo americano tinha conhecimento da ordem do STF antes de tomar providências. Além disso, questionam se houve revisão da concessão dos vistos depois que as restrições judiciais vieram à tona.
A iniciativa é liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada. Entre os signatários também aparecem Pramila Jayapal, Joaquin Castro, Greg Casar, Rashida Tlaib e Delia Ramirez.
Possível apoio logístico
Os deputados pedem informações sobre contatos entre funcionários do Departamento de Estado, da Casa Branca e outras agências americanas com Flávio Bolsonaro. Eles também citam familiares, advogados, assessores políticos e intermediários ligados ao senador.
Além disso, a carta questiona se o governo Trump participou de preparativos logísticos. Entre os pontos citados estão organização de voos, emissão de documentos, transporte, acesso a aeroportos e planejamento da entrada nos Estados Unidos.
Os congressistas também perguntam sobre possível atuação de autoridades americanas na Argentina ou no Equador. Segundo o texto, eles querem saber se algum funcionário lotado nesses países coordenou os deslocamentos do senador.
Outro ponto envolve a relação entre o Departamento de Estado e órgãos de imigração dos Estados Unidos, como o Departamento de Segurança Interna e a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras.
Impacto diplomático
A carta também pede esclarecimentos sobre eventual contato de autoridades brasileiras com o governo americano. Os deputados querem saber se o Brasil solicitou informações sobre a localização de Flávio ou sobre sua entrada nos Estados Unidos.
Por outro lado, os parlamentares questionam se o Departamento de Estado avaliou o risco diplomático dessa ajuda. Eles citam a possibilidade de a assistência ser interpretada como interferência em processos judiciais ou em assuntos internos brasileiros.
Os congressistas afirmam que o Congresso e o povo americano têm interesse legítimo na fiscalização do caso. Além disso, defendem transparência em situações que envolvam processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e políticas migratórias dos Estados Unidos.



