Empresa ligada a ato com homem acorrentado tem dívidas milionárias
Investigação da Polícia Civil avançou enquanto o TSE analisa recurso de Diego Alba e o caso segue em apuração no Rio.

O empresário investigado pela Polícia Civil após aparecer em um vídeo com um homem negro acorrentado, em ato de apoio a Flávio Bolsonaro, na Barra da Tijuca, é sócio de duas empresas com dívidas acima de R$ 1 milhão. O episódio ocorreu em 24 de outubro, um dia antes do segundo turno, e o caso segue em apuração. A ato com homem acorrentado também foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, segundo a corporação.
As empresas citadas são a Cem Locação de Bens Móveis e Serviços Ltda. e a Top Gran Comércio de Granitos e Mármores Ltda. A segunda acumula mais de R$ 666 mil em débitos, enquanto a primeira soma mais de R$ 386 mil. Além disso, a Polícia Civil informou que diligências estão em andamento para esclarecer as circunstâncias do episódio.
Investigação no Rio
Na última terça-feira, a Polícia Civil confirmou o registro do caso na Decradi. Conforme a corporação, os agentes trabalham para apurar o que aconteceu durante o ato na Barra da Tijuca. O vídeo chamou atenção por mostrar o homem negro acorrentado durante a manifestação.
Enquanto isso, o ministro Sebastião Reis Júnior, do Tribunal Superior Eleitoral, votou pela rejeição dos recursos apresentados por Diego Alba, do PSDB. O candidato a deputado estadual teve o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Ele concorreu sub judice e recebeu 48.547 votos em 4 de outubro.
Recursos no TSE
Diego Alba tenta reverter a decisão que barrou sua candidatura por suposta ligação com o crime organizado. Segundo a Justiça, ele foi condenado em 2009 por formação de quadrilha armada, em casos de “saidinhas de banco”. No voto, Sebastião Reis Júnior rejeitou os argumentos da defesa e defendeu que os indícios são suficientes para manter o indeferimento.
O relator também validou relatório técnico da inteligência do TRE-RJ. O documento citava que Alba teria sido “aprovado pela alta cúpula” do Comando Vermelho para fazer campanha em áreas sob domínio da facção. Entre os locais mencionados estão Jacarezinho, Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, Lins e Vasconcelos, Favela do Arará e Vila Kennedy.
Agora, os demais ministros do TSE têm até 5 de novembro para decidir se acompanham o relator. A manifestação do ministro também segue posição já apresentada pelo Ministério Público Eleitoral.
Próximos passos
A defesa de Alba aguarda a análise dos demais integrantes da Corte. No entendimento do relator, a Constituição veda candidaturas com vínculo comprovado com o crime organizado. Por isso, o julgamento no plenário virtual pode definir o futuro do recurso.
No mesmo período, o caso do ato na Barra da Tijuca segue sob investigação da Polícia Civil. A apuração permanece aberta, e as diligências continuam para esclarecer a participação do empresário no vídeo.



