Polícia Civil mira milícia que controlava água e gelo em Nova Iguaçu
Operação cumpre nove mandados e investiga cobranças de comerciantes e condomínios na Baixada Fluminense.

A Polícia Civil fez, na manhã desta terça-feira (27), uma operação contra uma milícia em Nova Iguaçu. A milícia em Nova Iguaçu é suspeita de explorar moradores e impor a compra de água e gelo por comerciantes.
As equipes cumpriram nove mandados de busca e apreensão em endereços de Valverde, Jardim Alvorada, Jardim Jasmim e Jardim Pernambuco. Além disso, os agentes apreenderam celulares, computadores e anotações de vendas.
Investigação aponta cobrança e controle
Segundo a 52ª DP, o grupo investigado é conhecido como “Bonde do Varão”. A polícia identifica Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, como responsável pelo grupo.
De acordo com as investigações, os suspeitos exigiam pagamentos periódicos de comerciantes e condomínios. Eles também cobravam chamadas “taxas de segurança”, segundo a polícia.
Além disso, os investigadores apuram a imposição de fornecedores indicados pelos integrantes do grupo. Comerciantes teriam de comprar água e gelo exclusivamente desses locais, conforme a apuração.
Fábrica e galpão entre os alvos
Entre os endereços alvos da operação estão uma fábrica de gelo e um galpão usado para armazenar e distribuir galões de água. Dessa forma, a polícia tenta identificar a estrutura usada para o controle econômico na região.
Segundo a investigação, em seis meses uma conta de um dos integrantes movimentou cerca de R$ 373 mil. Para os investigadores, o valor é incompatível, em princípio, com a capacidade econômica do suspeito.
No mesmo período, a polícia identificou quatro pagamentos de parcelas de seguro-desemprego para um dos investigados. Cada parcela teria valor aproximado de R$ 2,1 mil.
Além disso, os investigadores apontaram transferências frequentes e fracionadas entre pessoas e comércios das áreas investigadas. Cerca de R$ 43 mil também teriam sido repassados, em 96 operações, para outro investigado ligado ao fornecimento de água e gelo.
A operação conta com apoio da 3ª Promotoria de Investigação Penal. A Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores, o afastamento dos sigilos bancário e fiscal e o acesso a dados telemáticos.
Segundo a polícia, a ação busca reunir novas provas e aprofundar a identificação da estrutura financeira e operacional do grupo. A operação também quer impedir a expansão da atuação para outras áreas do município.



