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Lula e Trump devem se encontrar no G20 após fala sobre eleição

Reunião ocorre em meio a tarifas, sanções e novas tensões entre Brasil e Estados Unidos.

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Lula e Trump devem se encontrar no G20 após fala sobre eleição
Foto: Reprodução

Lula e Trump devem se encontrar antes do fim do ano, durante a cúpula do G20. O encontro ocorre em meio a novas tensões entre Brasil e Estados Unidos. Nesta segunda-feira (26), em Miami, o presidente dos EUA afirmou, sem provas, que a eleição que reelegeu o petista foi fraudada.

Segundo informações publicadas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a 21ª reunião de cúpula ocorrerá em um resort de Trump. O evento reunirá representantes das 19 economias do grupo, além da União Europeia e da União Africana. Será a primeira participação de Trump em uma cúpula do G20 desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Declarações sobre a eleição

Questionado por jornalistas sobre o resultado da disputa brasileira, Trump disse que a eleição “pareceu fraudada”. Ele também afirmou que o resultado “parece terrível”. Ainda assim, declarou que gosta de Lula e que se dá bem com ele.

O presidente dos EUA não esclareceu se Washington apoiará a iniciativa de Flávio Bolsonaro (PL) de pedir à Justiça Eleitoral a cassação da chapa do petista. Na entrevista, porém, ele enfatizou que não tomou partido na eleição brasileira. Embora tenha elogiado o desempenho de Flávio no primeiro turno, Trump não declarou apoio público à candidatura.

Flávio, no entanto, conta com a simpatia da ala do governo estadunidense liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Além disso, o cenário amplia a atenção sobre a disputa política entre aliados de Jair Bolsonaro e o governo Lula.

Eduardo Bolsonaro e pressão internacional

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem atuado como principal interlocutor da família junto a Rubio e a auxiliares do Departamento de Estado. Ele vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e articula medidas contra o governo Lula.

Antes do segundo turno, Eduardo defendeu que o irmão deixasse o Brasil caso fosse derrotado. Na mesma ocasião, ele lançou dúvidas sobre as urnas eletrônicas brasileiras. A declaração sobre uma eventual saída do país motivou a apreensão do passaporte de Flávio nesta segunda-feira, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No domingo, depois da confirmação da vitória de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo pediu que os apoiadores da família rejeitassem o resultado. “Esta é uma mensagem para vocês: não reconheçam estas eleições, porque ainda mais fatos estão surgindo agora”, declarou. “Como Flávio disse, precisamos cancelar esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional”.

Tarifas, sanções e aproximações

O encontro no G20 acontece após uma sequência de aproximações e crises entre os dois governos. Desde o retorno de Trump ao poder, os Estados Unidos impuseram três tarifaços à economia brasileira. A Casa Branca também sancionou ministros do STF em retaliação ao julgamento e à condenação de Jair Bolsonaro pela trama golpista.

A primeira abertura para o diálogo surgiu durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em 2025. Lula e Trump se encontraram por 39 segundos na sede da entidade. Depois, durante o discurso, Trump afirmou que os dois tiveram uma “excelente química”.

“Eu estava entrando [no plenário da Assembleia Geral] e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos”, declarou Trump. Conforme revelou posteriormente a revista piauí, o contato havia sido articulado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e por Richard Grenell, assessor próximo de Trump.

Depois disso, houve uma videochamada e uma reunião à margem de um evento na Malásia, no fim de outubro de 2025. Na sequência, Alexandre de Moraes, sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e a holding familiar do casal foram retirados da lista de sancionados pela Lei Magnitsky. As medidas haviam sido articuladas por Eduardo Bolsonaro.

A trégua continuou com uma visita de trabalho de Lula à Casa Branca, em maio deste ano, a convite de Trump. As relações, porém, voltaram a se deteriorar depois que o republicano recebeu Flávio Bolsonaro no Salão Oval. O senador também se reuniu com o vice-presidente JD Vance e com Rubio.

Trump anunciou, então, outros dois tarifaços contra o Brasil, com base na Seção 301. O governo dos EUA alega prejuízos provocados por políticas brasileiras que considera desleais. Em outra frente, Rubio excluiu o Brasil de uma lista de aliados e o equiparou a Cuba, Venezuela e Nicarágua.

Apesar das divergências, Lula e Trump mantiveram contato. No fim de agosto, conversaram por uma hora e vinte minutos. Durante o telefonema, Trump perguntou sobre as eleições de outubro, e Lula respondeu que a campanha transcorria normalmente. Segundo o relato, o presidente dos EUA não contestou a resposta.