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Instituto Nise da Silveira completa 5 anos sem internações psiquiátricas

Unidade no Engenho de Dentro marca a data com cooperação internacional e trajetória de desinstitucionalização.

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Instituto Nise da Silveira completa 5 anos sem internações psiquiátricas
Foto: Reprodução

O Instituto Nise da Silveira, no Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio, completa nesta segunda-feira (26/10) cinco anos sem internações psiquiátricas. A saúde mental no Rio entra no centro da data, marcada pelo fim do último internamento em 2021.

Naquele ano, o último paciente recebeu alta e passou a morar em uma Residência Terapêutica do município. O modelo busca promover autonomia e qualidade de vida para pessoas com transtornos mentais.

A data também reforça a luta antimanicomial, que defende atenção em saúde mental com garantia de direitos. Além disso, o movimento propõe convivência social e cuidado fora de instituições de longa permanência.

Desinstitucionalização no instituto

Desde 2010, o instituto desenvolve ações para desinstitucionalizar pacientes. As iniciativas também buscam integrar usuários à Rede de Atenção Psicossocial do Rio.

Entre as atividades, estão ações de arte, cultura e lazer. Há ainda acompanhamento para estimular independência. Ao longo desse período, cerca de 310 pacientes passaram pelo processo.

Para a diretora do instituto, Erika Pontes, os cinco anos sem internações representam uma conquista. Porém, ela afirma que a rede ainda precisa avançar.

“Essa data aponta a necessidade de traçarmos, ainda, um caminho muito amplo e árduo pela continuidade desse processo de desconstrução das práticas manicomiais. Para que possamos avançar cada vez mais na implementação de uma rede que contemple as políticas de saúde mental”, disse.

História de autonomia

A transformação do atendimento também aparece na trajetória de Mirian Galvão, de 54 anos. Moradora do Rio, ela chegou ao instituto em 2010, após crises de irritabilidade, e passou por etapas diferentes de tratamento.

Hoje, Mirian vive sozinha e mantém uma rotina com autonomia. Ela também tem na cozinha uma de suas principais paixões.

Conhecida pelas empadinhas, ela circula pelos corredores da instituição oferecendo seus quitutes. Além disso, compartilha momentos de afeto com funcionários.

“Me tratei aqui e conheci muita gente legal, muita gente boa que me deu força de coragem para eu não sentir tanta raiva quanto eu sentia. Já consegui superar muito isso de ser agressiva, sabe? Eu aprendi a sobreviver dentro da minha cabeça. Aprendi a ter minha própria autonomia”, relata.

Cooperação com hospital argentino

A programação desta segunda-feira também inclui a assinatura de uma parceria internacional. A diretora executiva do Hospital Interzonal Dr. José A. Esteves, da Argentina, María Rosa Ríva Roure, visita o instituto para formalizar a cooperação.

O hospital argentino também passa por um processo de desinstitucionalização e se tornou referência nacional em cuidados de saúde mental. Portanto, a parceria busca aproximar experiências e iniciativas sobre a transformação do atendimento psiquiátrico.

A cooperação também pretende fortalecer a assistência baseada na garantia de direitos. Dessa forma, as duas instituições devem trocar experiências sobre modelos de cuidado e de acolhimento.