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Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro assinam acordo por sigilos

Medida foi formalizada no TSE e prevê a divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos até o fim desta quinta-feira.

fabricio · 3 min de leitura
Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro assinam acordo por sigilos
Foto: Reprodução

As campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) assinaram nesta quinta-feira (22), na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um acordo para a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico. A medida também alcança familiares e empresas citados nas petições apresentadas pelas campanhas.

O documento estabelece que as informações sejam tornadas públicas até o fim desta quinta-feira. Lula assinou o termo pessoalmente, enquanto Flávio foi representado por sua equipe jurídica, com assinatura da advogada Maria Claudia Buchianeri por procuração.

A quebra de sigilos passou a ser discutida após Lula desafiar o adversário, durante o debate da Band no domingo (18), a abrir os dados. Flávio não aceitou de imediato e depois apresentou condições, enquanto a campanha petista passou a defender publicamente a adesão ao acordo.

Antes da assinatura, Buchianeri afirmou que a análise deveria abranger um período maior do que os oito anos citados na petição inicial apresentada por Lula. “Lula está no poder há quase 20 anos, então a gente precisa saber se nesse período ele e sua família e empresas enriqueceram”, disse.

A advogada também pediu informações sobre entradas e saídas dos palácios da Alvorada e do Planalto, além do telefone de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula. Segundo ela, a análise seria feita com apoio do senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), ex-procurador da Lava Jato.

Buchianeri disse ainda que só apresentaria os documentos de Flávio depois de verificar os dados de Lula. “Primeiro eu vou ver se ele vai trazer tudo o que pedimos. Se a gente confirmar que tudo o que comprometeu ele trouxe, a gente traz imediatamente”, declarou.

O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que houve disputa para incluir no acordo uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, apontado por aliados de Lula como ligado a Flávio. “Eles acataram depois de nós não cedermos”, disse.

Guilherme Boulos afirmou que a expectativa era de que, até domingo, o país soubesse “quem é o ladrão e quem é honesto”. Já uma fonte da campanha de Flávio disse que a advogada se sentiu pressionada a assinar, embora não concordasse com todos os termos.

Ela não descartou recorrer ao TSE para rever pontos do acordo e discutir a necessidade de autorização judicial. Deltan Dallagnol também criticou Lula e alegou que o presidente não entregou documentos, mas apresentou uma petição.

Quem entra no acordo

No grupo ligado a Lula, estão a primeira-dama Janja, os filhos do presidente e a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações, da qual ele é sócio. Do lado de Flávio, a lista inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro, a mãe e os irmãos do senador, sua mulher e empresas apontadas como ligadas a ele.

A petição também cita a Alcazar Holdings, registrada no exterior por Willer Tomaz e descrita no documento como uma empresa com possível ligação com Flávio. O acordo prevê a abertura dos sigilos das pessoas e empresas listadas nas petições iniciais.