DHS classifica Ramagem como imigrante ilegal nos Estados Unidos
Órgão afirma que ex-diretor da Abin está sujeito a detenção e deportação, mesmo após pedido de asilo político.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, o DHS, classificou Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-diretor da Abin, como imigrante ilegal e afirmou que ele está sujeito a detenção e deportação. A manifestação foi feita mesmo após o pedido de exílio político apresentado por ele, e ocorre em meio ao processo de deportação conduzido no país.
De acordo com a declaração divulgada pelo órgão, o fato de Ramagem ter solicitado asilo político não garante proteção. O DHS informou ainda que o ex-diretor da Abin receberá o devido processo legal, mas reforçou que estrangeiros em situação irregular não são bem-vindos no país.
Em resposta encaminhada à ICIJ, o porta-voz do departamento disse que Ramagem entrou legalmente nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2025, com autorização temporária de seis meses. Segundo o órgão, ele permaneceu no país além do prazo permitido.
“Em 13 de abril, o ICE prendeu Alexandre Ramagem Rodrigues, um estrangeiro ilegal do Brasil. Ele entrou legalmente no país em 11 de setembro de 2025, em caráter temporário, com permissão para permanecer no país por seis meses, mas optou por permanecer ilegalmente além do prazo autorizado, em violação às leis da nossa nação. Ele foi liberado da custódia do ICE em 15 de abril, enquanto aguarda o resultado do seu processo de deportação”, disse o porta-voz.
A posição do DHS contradiz o entendimento do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que em abril deste ano, quando Ramagem foi preso pelo ICE, afirmou que a Polícia Federal teria “manipulado” o sistema legal americano. Agora, o DHS sustenta que o pedido de asilo não impede a aplicação das regras migratórias.
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o texto, ele está nos Estados Unidos desde que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, em setembro do ano passado, quando deixou o Brasil pela Guiana.
Alexandre Ramagem voltou ao centro da disputa política e jurídica após a nova manifestação do governo norte-americano, que também faz referência ao governo de Donald Trump e ao secretário Mullin. O caso agora segue no processo de deportação nos Estados Unidos.



