Irã propõe reabrir Hormuz em dois dias se EUA aceitarem condições
Teerã diz que pode retomar a passagem de navios no estreito após acordo com Washington e mediadores.

O Irã afirmou nesta segunda-feira (2) que pode reabrir o estreito de Hormuz em até dois dias. A abertura, porém, depende de Washington aceitar as condições apresentadas por Teerã. A rota marítima está bloqueada desde o início da guerra e, antes do conflito, levava um quinto do consumo mundial de petróleo.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, disse que a mudança mostra boa-fé do país. Ele afirmou que, se as exigências iranianas forem aceitas, será possível restabelecer a segurança no estreito. Além disso, o governo iraniano diz que o processo de negociação também pode ser retomado.
Troca de mensagens com os EUA
Baqaei informou que continuam as trocas de mensagens com os Estados Unidos por meio de mediadores. Segundo ele, tudo depende da aceitação das exigências iranianas por Washington. Só depois disso, disse, as próximas etapas poderão ser discutidas.
O chanceler Abbas Araghchi reforçou a proposta e afirmou que o estreito de Hormuz será reaberto se os EUA aceitarem as condições. De acordo com Teerã, os contatos para encerrar a guerra de oito meses seguem em andamento. As conversas com mediadores do Qatar terminaram com novas propostas, porém sem avanço decisivo.
Pressão militar e sanções
As declarações ocorrem enquanto Donald Trump faz novas ameaças contra o Irã. Em comícios da campanha para as eleições de meio de mandato, o presidente americano adotou tom duro. Ele disse que ainda não terminou com o país porque quer evitar mortes, mas afirmou que pode usar força contra os iranianos.
Trump também não descartou novos ataques contra alvos militares, como a montanha Kolang, suspeita de abrigar um complexo nuclear subterrâneo. Baqaei respondeu que qualquer agressão terá uma resposta poderosa, imediata e abrangente.
Teerã mantém o bloqueio de Hormuz desde fevereiro, o que elevou os preços da energia e criou um desafio eleitoral para Trump. Em setembro, o Irã já havia apresentado um plano de sete dias para reabrir o estreito, com exigências como o fim da guerra, o desbloqueio dos ativos iranianos e o levantamento das sanções ao petróleo.
Diplomacia com outros países
Em entrevista à Al Jazeera, divulgada no domingo (1º), Araghchi disse que Washington também precisa aceitar uma nova rota, definida entre Irã e Omã, para a passagem de embarcações. Ele acrescentou que os Estados Unidos devem suspender as sanções e reduzir o número de tropas na região.
Desde agosto, a Casa Branca anuncia novas sanções como parte da estratégia que classificou de asfixia econômica do Irã. Nos últimos dias, autoridades de Paquistão, Qatar, Arábia Saudita e Turquia conversaram com Teerã. Além disso, o vice-presidente americano, J. D. Vance, enviou uma carta ao país.
Segundo a mídia estatal, Mohsen Rezaei, chefe de segurança iraniano, falou por telefone com Vladimir Putin sobre a guerra. O governante de Omã, sultão Haitham bin Tariq, também discutiu o conflito com Xi Jinping, durante visita a Pequim. O chanceler chinês Wang Yi afirmou que a China apoia Teerã na defesa de sua própria soberania e segurança.
O acordo foi formalizado em Abu Dhabi durante a Exposição e Conferência Internacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADIPEC). Segundo comunicados, participaram do encontro Sam Altman, CEO da OpenAI, e Sultan Ahmed Al Jaber, CEO da ADNOC e ministro da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados.



