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Virada de Lula no Rio teve mobilização, ruas e apoio de Paes

Especialistas apontam combinação de propostas, rejeição a Flávio Bolsonaro e ações de campanha na capital fluminense.

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Virada de Lula no Rio teve mobilização, ruas e apoio de Paes
Foto: Reprodução

A virada de Lula no Rio no segundo turno das Eleições 2026 chamou atenção pela diferença entre capital e estado. No dia 25 de outubro, o presidente reeleito venceu na cidade do Rio, mas perdeu no estado para Flávio Bolsonaro (PL).

Especialistas ouvidos apontam que a mobilização nacional do chamado “Exército do Lula” ajudou na capital. Além disso, fatores locais, como a lembrança da trajetória de Flávio Bolsonaro e a reaproximação de Eduardo Paes, também pesaram no resultado.

Resultado na capital e no estado

No segundo turno, Lula recebeu 51,79% dos votos válidos no país, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença entre os dois foi de 4.430.191 votos. Na cidade do Rio, o petista também venceu, com 51,54% dos votos válidos, e reverteu o cenário do primeiro turno.

No estado, porém, Flávio Bolsonaro somou 51,77% dos votos, contra 48,23% de Lula. A vantagem do candidato do PL foi de 258.779 votos. Na capital, a mudança foi mais expressiva: Lula saiu de 1.524.517 votos para 1.898.391.

Flávio, por sua vez, passou de 1.662.354 para 1.785.198 votos. Assim, a vantagem do primeiro turno virou um saldo favorável ao petista no segundo. O movimento ocorreu em várias zonas eleitorais da cidade.

Memória eleitoral e propostas

Para o cientista político Josué Medeiros, dois elementos ajudam a entender a virada de Lula no Rio: propostas do segundo turno e rejeição ao adversário. Segundo ele, o eleitorado carioca conhece mais a trajetória política de Flávio Bolsonaro.

“Muitos elementos que eram desconhecidos para outros estados do Brasil, aqui no Rio já eram conhecidos, e a memória foi reativada”, disse. Flávio iniciou a carreira como deputado estadual em 2003 e chegou ao Senado em 2018.

Medeiros também citou propostas apresentadas por Lula na campanha, como o fim da escala 6×1, a Tarifa Zero e o Prospera MEI. Dessa forma, o petista conseguiu ampliar o alcance em áreas onde já tinha vantagem e também em regiões mais resistentes.

Avanço nas zonas da cidade

Na Zona Norte, Lula cresceu em áreas como Penha, Méier, Vila Isabel e Madureira. Na 188ª Zona Eleitoral, que inclui Penha, Vila da Penha e Penha Circular, ele terminou com 53,53% dos votos válidos. Já na 214ª Zona, que abrange Méier, Engenho Novo, Engenho de Dentro e Lins de Vasconcelos, o presidente teve 58,69%.

Houve avanço também na Leopoldina e em Madureira, onde o petista virou o resultado do primeiro turno. Ao mesmo tempo, ele aumentou a votação em áreas da Zona Oeste, onde o adversário manteve a liderança em parte dos bairros.

O maior crescimento em números absolutos ocorreu na zona eleitoral que reúne Rio das Pedras, Cidade de Deus, Pechincha e Anil, na Zona Sudoeste. Além disso, o petista venceu em bairros da Zona Sul, como Copacabana, Laranjeiras e Leblon.

Ruas, redes e apoio político

O professor Guilherme Simões Reis avalia que a campanha de rua voltou a ganhar força no segundo turno. Segundo ele, ações pequenas e espalhadas pela cidade criaram um ambiente favorável a Lula.

“Existia uma estratégia muito forte de ir pedir para virar voto na Central do Brasil”, disse. Ele também destacou a participação de eleitores em praças e ações locais. “Isso foi percebido na cidade”, afirmou.

Reis citou ainda o engajamento de Eduardo Paes na reta final. No primeiro turno, o ex-prefeito adotou postura mais distante da campanha petista. Depois da derrota para Douglas Ruas, ele passou a participar das mobilizações em favor de Lula.

A presença de Paes no ato em Copacabana, ao lado de Lula, Rodrigo Neves e Eduardo Cavaliere, também entrou no cálculo dos especialistas. Para Josué Medeiros, porém, a diferença entre capital e interior ajuda a explicar o resultado.

Capital e interior votam de forma diferente

Segundo Medeiros, a disputa presidencial teve um componente mais nacional. Já a eleição estadual se conectou mais aos interesses locais. Por isso, o comportamento eleitoral do Rio capital não se repetiu com a mesma força em outras regiões do estado.

Guilherme Simões Reis destacou que Douglas Ruas ajudou a consolidar essa lógica fora da capital. Segundo ele, a campanha com o discurso de “Rio de Janeiro Cartão Postal” e “Rio de Verdade” fortaleceu Flávio Bolsonaro em outras áreas.

Brand Arenari, da Universidade Federal Fluminense, apontou outro fator: a redução da abstenção. Ele avaliou que a mobilização do PT teve efeito sobre eleitores ausentes no primeiro turno, especialmente idosos.

Além disso, Arenari disse que o “choque de biografias” entre Lula e Flávio Bolsonaro pesou na reta final. Para ele, a disputa ganhou força quando campanhas passaram a explorar diferenças entre as trajetórias dos dois candidatos.