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Flávio Bolsonaro pede saída de Moraes de inquérito no STF

Defesa do senador quer a relatoria de André Mendonça e tenta derrubar medidas cautelares impostas pelo ministro.

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Flávio Bolsonaro pede saída de Moraes de inquérito no STF
Foto: Reprodução

A defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, o afastamento de Alexandre de Moraes do inquérito. O caso apura a relação do senador com o advogado Willer Tomaz, e o pedido foi apresentado nesta sexta-feira (30). Os advogados também querem a relatoria de André Mendonça e a revogação das medidas cautelares. A Flávio Bolsonaro aparece no centro da disputa jurídica no Supremo.

Em três petições, a defesa afirmou que Moraes não deve seguir no caso. Além disso, pediu que o processo seja transferido para Mendonça. Os advogados também tentam suspender as restrições impostas ao senador, que incluem passaportes retidos e proibição de contato entre os investigados.

Defesa questiona atuação de Moraes

A Polícia Federal apura se Flávio e Willer mantinham uma sociedade indireta para lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, essa relação também envolveria uma empresa de apostas. Moraes determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador e pediu a entrega do documento italiano.

Os advogados sustentam que o ministro pode ter ligação com fatos citados na investigação. Para a defesa, a dúvida surge por causa do uso de uma aeronave que aparece no inquérito. Conforme a petição, o avião teria ligação com possíveis elos entre Flávio, Willer e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O documento cita um voo em janeiro de 2025. Na ocasião, Flávio, a mulher e as duas filhas viajaram com Willer de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília. A defesa diz que o jato Legacy 650 pertencia à Fraction 024.

Essa sociedade tinha Willer entre os acionistas. Além disso, a estrutura também envolvia a Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio. Os advogados afirmam que Moraes e a mulher, Viviane Barci de Moraes, também usaram o mesmo avião em julho e agosto de 2025.

Segundo a defesa, Viviane foi contratada pelo Banco Master em um acordo de R$ 130 milhões. Ainda de acordo com os advogados, a PF investiga a negociação de cotas da Fraction 024 como parte de pagamentos ao escritório dela.

Medidas cautelares e pedido alternativo

Na petição, a defesa registra que não acusa Moraes de agir com interesse pessoal. Entretanto, afirma que a apuração pode alcançar fatos ligados ao ministro e à esfera jurídica da esposa dele.

Os advogados também contestam as medidas cautelares impostas na noite da eleição presidencial de 25 de outubro. Eles afirmam que a decisão saiu sem manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República. Além disso, alegam que o risco de fuga não poderia se basear em falas de terceiros ou no discurso de Flávio após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A defesa, porém, não menciona que o senador deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina na terça-feira (27). Ele saiu depois de não entregar os documentos exigidos pelo ministro. Os advogados também disseram que o Santander negou que Flávio fosse usuário master das contas de uma das empresas de Willer.

Por fim, a defesa pede que André Mendonça assuma o caso. Segundo os advogados, o inquérito seria um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. A tese é que as duas apurações envolvem Willer Tomaz e sua rede de empresas.

Caso Moraes não seja considerado impedido, a defesa pede ainda o reconhecimento de suspeição. Assim, os advogados também solicitam a revogação das cautelares, mesmo se o processo continuar no STF com outro ministro.