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Ilha Seca volta à cena no Centro do Rio com história e imóveis

Região entre a Teófilo Otoni e a Miguel Couto reúne sobrados históricos, restaurantes e referências da antiga paisagem carioca.

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Ilha Seca volta à cena no Centro do Rio com história e imóveis
Foto: Reprodução

A Ilha Seca, no Centro do Rio, voltou ao debate com imóveis, restaurantes e memória histórica. O nome aparece em uma área entre a Rua Teófilo Otoni e a Rua Miguel Couto, onde sobrados e novos negócios dividem espaço com referências antigas.

Na região, um conjunto de sobrados históricos com 3.600 metros quadrados foi vendido a investidores paulistas. Ao mesmo tempo, o Restaurante Málaga segue como ponto de referência, enquanto o Beco das Sardinhas e o Beco do Bragança ganham movimento com encontros, bares, galerias e lojas de design.

O interesse atual ajuda a recolocar a Ilha Seca no Centro do Rio em uma conversa sobre patrimônio e uso urbano. Além disso, a área também aparece ligada a antigas ruas, becos e terrenos que mudaram de nome ao longo dos séculos.

Uma região que mudou de nome

Em uma reportagem publicada em agosto de 1951, José Heitgen tentou localizar a Ilha Seca a partir de ruas e marcos antigos. Ele situou a área entre as atuais Avenidas Presidente Vargas e Marechal Floriano, com extremos na Rua da Conceição e, provavelmente, na Miguel Couto.

O cronista também descreveu incertezas sobre os limites exatos do lugar. Ainda assim, considerou certa a continuidade da área a partir da antiga vala da Rua Uruguaiana até a Rua da Conceição.

Segundo o texto, a paisagem colonial tinha brejos, áreas encharcadas e trechos mais firmes. Dessa forma, uma faixa de chão seco se destacava no meio do terreno úmido e inspirava o nome da região.

Oficinas, prata e memória colonial

Heitgen percorreu ruas que hoje correspondem a diferentes trechos do Centro e registrou mudanças de nomes. Ele citou o Beco dos Cachorros, a Rua Estreita, a ladeira da Conceição e a antiga Rua do Aljube, entre outros pontos.

O percurso também trouxe referências ao Valongo, ao tráfico de pessoas escravizadas e a construções ligadas ao período colonial. Além disso, o autor descreveu um antigo teatro, a Ópera dos Vivos, e a presença de personagens ligados à história urbana da cidade.

Outro destaque da narrativa apareceu na antiga Rua das Violas, hoje Teófilo Otoni. Ali, José de Oliveira Coutinho, identificado pela punção JOC, manteve endereço em 1854 e produziu a banqueta de prata da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores.

O texto ainda relaciona a área a nomes como Bocage e a experiências econômicas da administração colonial, como o cultivo de índigo. Assim, a reportagem histórica amplia a leitura do endereço atual e reforça a presença da memória no Centro do Rio.

Ao reunir imóveis, comércio e história, a Ilha Seca volta a chamar atenção no Centro da cidade. Portanto, o antigo nome reaparece como chave para entender um trecho que segue em transformação.