Ricardo Nunes foi avisado sobre frota de ônibus antes da eleição
Documentos enviados por órgãos públicos cobraram frequência de dias úteis, mas a capital teve espera longa e frota abaixo do exigido.

A frota de ônibus em São Paulo entrou no centro de uma disputa eleitoral após alertas enviados meses antes da votação. A Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes (MDB), recebeu comunicações de órgãos públicos sobre a obrigação de manter o transporte com frequência de dia útil durante as eleições de 2026.
Mesmo assim, a capital paulista registrou longas esperas nos pontos e terminais no segundo turno, realizado no domingo (25). Nesse dia, a circulação ficou abaixo do patamar determinado pela Justiça Eleitoral.
Alertas enviados antes da votação
Os documentos vieram do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, do Ministério Público estadual e da Defensoria Pública da União. Eles reforçaram a exigência de transporte coletivo gratuito e com frequência compatível com a dos dias úteis.
A regra havia sido definida pelo Supremo Tribunal Federal em 2023. Depois, o Tribunal Superior Eleitoral incorporou a determinação às normas para as eleições de 2026.
O primeiro aviso destacado na documentação foi enviado em 15 de junho. O presidente do TRE-SP, desembargador José Antonio Encinas Manfré, lembrou a necessidade de garantir transporte gratuito com frequência semelhante à dos dias úteis.
Em agosto, a Promotoria Eleitoral da 1ª Zona Eleitoral da capital encaminhou nova comunicação. Além disso, a SPTrans respondeu em 13 de agosto que ofereceria uma operação adequada à demanda.
Mais tarde, em 30 de setembro, a autarquia apresentou posição semelhante à Defensoria Pública da União. Já em 22 de outubro, três dias antes do segundo turno, a SPTrans indicou que repetiria a operação do primeiro turno, com cerca de 6.900 ônibus.
Levantamento mostra operação reduzida
Dados analisados pelo pesquisador Igor Novaes Lins, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, mostram outra realidade. Entre 11h e 19h do domingo eleitoral, circularam em média 6.928 ônibus ao mesmo tempo.
Na quarta-feira (21) e na sexta-feira (23), a média havia sido de 10.521 veículos. Ou seja, a circulação no domingo ficou abaixo do volume de um dia útil.
O levantamento usou informações em tempo real da plataforma Olho Vivo, da SPTrans, que acompanha os coletivos por GPS. Segundo a análise, nenhum distrito da capital alcançou quantidade de ônibus equivalente à de um dia útil.
A proporção variou entre 51,1% e 83,6%, conforme a região. Além disso, na sexta-feira (23), a Justiça Eleitoral já havia determinado que a prefeitura colocasse 100% da frota prevista para dias úteis em operação.
A decisão atendeu a uma ação apresentada pela vereadora Luana Alves e pelas deputadas Mônica Seixas e Sâmia Bomfim, todas do PSOL.
Prefeitura diz que respondeu aos órgãos
A Prefeitura de São Paulo afirmou que respondeu aos órgãos públicos e planejou uma oferta compatível com a demanda. Segundo a administração municipal, depois dessas respostas, não houve novos questionamentos até a véspera da votação.
A gestão informou que recebeu a determinação específica para colocar 100% da frota nas ruas às 13h10 de sábado (24). Depois disso, comunicou a ordem às concessionárias às 13h59.
A SPTrans argumentou que o prazo reduzido dificultou a reorganização das escalas dos trabalhadores. Ainda segundo a autarquia, muitos já tinham folgas e compromissos previstos para o domingo.
A prefeitura também afirmou que a capacidade programada superava a demanda do primeiro turno. Naquele pleito, 3,4 milhões de passageiros usaram o sistema, diante de uma oferta estimada em 8 milhões de lugares.
Além disso, a administração municipal declarou que eventuais descumprimentos das determinações pelas concessionárias poderão gerar processos administrativos e multas contratuais.
As reclamações sobre transporte público em São Paulo e em outras cidades também influenciaram a decisão de prorrogar parcialmente o horário de votação no domingo. A Polícia Federal abriu apurações sobre os problemas relatados em diferentes estados.



