Vitória de Lula repercute na imprensa internacional
Veículos como BBC, The Guardian e Le Monde ligaram o resultado ao avanço conservador na América Latina.

A vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), repercutiu na imprensa internacional. A vitória de Lula apareceu em análises de veículos como The New York Times, The Guardian, BBC e Le Monde.
As publicações relacionaram o resultado ao avanço de forças conservadoras na América Latina. Além disso, os textos também trataram das tensões políticas entre o Brasil e os Estados Unidos, sob Donald Trump.
Leitura regional do resultado
A agência Reuters avaliou que a eleição pode trazer efeitos para a economia, a segurança pública e a relação com os Estados Unidos. Já o Le Monde afirmou que o Brasil não seguiu, de forma definitiva, a guinada à direita vista em outros países da região.
Segundo o jornal francês, o país ficou entre os poucos redutos progressistas da América Latina. Dessa forma, a publicação colocou a disputa brasileira dentro de um cenário político mais amplo no continente.
O The New York Times destacou que a vitória de Lula interrompeu uma sequência de sete triunfos de candidatos de direita. O veículo citou eleições recentes na Colômbia, no Chile, em Honduras, na Bolívia, no Peru, no Equador e na Costa Rica.
Além disso, o jornal afirmou que Lula apresentou sua candidatura como defesa da democracia. Ele também buscou impedir o retorno da família Bolsonaro ao poder, de acordo com a publicação.
Abstenção e disputa apertada
The Guardian chamou atenção para a mobilização do petista nas semanas finais da campanha. O jornal relacionou o resultado à queda da abstenção entre o primeiro e o segundo turno.
O índice passou de 21,08% para 19,21%. Ainda segundo a publicação, a virada de Lula no segundo turno teve caráter inédito.
O jornal britânico também associou a derrota de Bolsonaro às dificuldades políticas enfrentadas pelo ex-presidente. Ele foi condenado por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 e sentenciado a 27 anos de prisão.
A BBC descreveu o segundo turno como uma disputa apertada. Além disso, a emissora disse que o resultado contrariou a tendência recente de avanço eleitoral da direita na América Latina.
A correspondente Ione Wells afirmou que a vitória de Lula representou uma grande derrota para Bolsonaro. A cobertura também mencionou a ampliação do horário de votação por causa de intercorrências registradas em diferentes estados.
Impacto político no Brasil
O New York Times também destacou a prorrogação da votação por decisão da Justiça Eleitoral. A medida ocorreu por dificuldades no transporte e por condições climáticas adversas.
O jornal disse que o encerramento da votação, em meio a controvérsias, levantou dúvidas sobre eventual contestação do resultado. Enquanto isso, a disputa também trouxe versões opostas dos candidatos sobre transporte e enchentes em áreas eleitorais.
Durante a campanha, Flávio Bolsonaro afirmou que enchentes em uma região onde tinha vantagem eleitoral poderiam prejudicá-lo. Lula, por sua vez, acusou agentes públicos de atrasarem deliberadamente o transporte coletivo em áreas onde havia obtido mais votos no primeiro turno.
O jornal ainda comparou as propostas dos candidatos para segurança pública e economia. Além disso, apontou que o próximo presidente poderá indicar quatro ministros ao Supremo Tribunal Federal, conforme surgirem vagas.
No caso do resultado das eleições no Brasil, o argentino Clarín também viu uma disputa marcada por incerteza. O veículo destacou a mobilização de eleitores e a redução da abstenção como fatores importantes.
O jornal argentino afirmou ainda que o governo Lula enfrenta desafios econômicos. Entre eles, citou o endividamento de famílias de baixa renda e o crescimento do Partido Liberal no Congresso.
Por isso, a publicação avaliou que o governo pode precisar negociar com partidos do Centrão para aprovar propostas. O texto também mencionou denúncias sobre transporte de eleitores, a atuação dos Estados Unidos e escândalos de corrupção no cenário político brasileiro.
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