Zanin prorroga votação e provoca impasse na apuração nacional
Decisão estendeu o horário até 19h em todo o país, mas parte das seções já estava encerrada quando a ordem chegou.

votação prorrogada em todo o país neste domingo (25) virou o centro de um impasse nacional. O ministro Cristiano Zanin, do STF, estendeu o horário até as 19h, no horário de Brasília, mas a decisão chegou depois que parte das urnas já havia sido encerrada.
A ordem atingiu o segundo turno das eleições presidenciais e determinou que o TSE cumprisse a medida. Segundo o despacho, a extensão levou em conta a gravidade dos fatos informados ao Supremo às 16h32m49s deste domingo.
Pedidos do PT e do PL
A decisão veio após pedidos das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL). Os dois lados apontaram dificuldades de deslocamento, além de problemas de transporte e de clima em diferentes cidades.
No caso da campanha de Lula, a solicitação inicial tratava de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. A equipe também pediu que a medida valesse para outras localidades e, depois, para todo o Brasil.
Já a campanha de Flávio Bolsonaro pediu a prorrogação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A justificativa citou temporais, alagamentos, deslizamentos, bloqueios de vias e falta de energia elétrica.
Apuração interrompida
A determinação chegou quando a votação já deveria ter terminado. Por isso, várias seções estavam fechadas, enquanto outras ainda recebiam eleitores. A apuração, então, foi suspensa pelo TSE.
Segundo a Agência Brasil, a contagem parou às 17h06, com 1.225 das 499.248 seções apuradas. Até aquele momento, já havia 335.743 votos válidos computados.
Mesários também relataram dúvidas sobre como proceder em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em alguns casos, eles ficaram sem orientação imediata sobre o encerramento dos trabalhos.
O que vale para as urnas
Zanin depois esclareceu que a prorrogação vale apenas para as seções cujas urnas ainda não tinham sido encerradas. Assim, locais que continuavam abertos puderam receber eleitores até as 19h.
As urnas já fechadas, porém, não podem ser reabertas. O advogado eleitoral Fernando Neisser explicou que o encerramento eletrônico não pode ser revertido, e que urnas de contingência também não resolveriam o problema.
Ele também apontou que a diferença entre seções abertas e fechadas pode gerar questionamentos judiciais. Ainda assim, isso não significa anulação automática da eleição.
O ministro afirmou ainda que os votos das urnas já encerradas devem ser computados normalmente. Portanto, a suspensão da apuração não invalida os votos já registrados.
Até a última atualização, não havia confirmação oficial sobre a retomada integral da divulgação dos resultados. O TSE interrompeu a totalização enquanto ajustava o recebimento de novos votos e o processamento das urnas já fechadas.
Com isso, o país terminou o segundo turno com horários diferentes de votação entre seções eleitorais. A definição sobre eventuais questionamentos e sobre os próximos passos dependerá de novos esclarecimentos da Justiça Eleitoral.



