Abstenção menor ajuda Lula a vencer eleição presidencial
Queda nos votos brancos e nulos também marcou o segundo turno realizado neste domingo (25).

A redução da abstenção eleitoral ajudou a marcar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado neste domingo (25). Além disso, a queda nos votos brancos e nulos também influenciou o cenário da disputa.
Com 96,77% das urnas apuradas, o total de votos válidos chegava a 123,9 milhões. Os brancos somavam 1,12% e os nulos, 2,12%. A abstenção ficou em 19,19%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno.
Lula venceu com 51,74% dos votos válidos, segundo a apuração. A maior participação do eleitorado favoreceu a estratégia de mobilização da campanha petista na reta final.
Mobilização virou prioridade
A chamada alienação eleitoral, que reúne abstenção, votos brancos e nulos, ganhou peso na campanha após o primeiro turno. Dessa forma, a equipe de Lula passou a concentrar esforços para levar mais eleitores às urnas.
A avaliação dos estrategistas era de que atrair ausentes poderia ampliar a vantagem do presidente. Afinal, o primeiro turno teve a maior abstenção desde 1998 nessa etapa das eleições presidenciais.
O recuo no segundo turno indicou uma mobilização mais intensa na votação decisiva. A abstenção eleitoral também entrou no centro das análises sobre o comportamento do eleitorado.
São Paulo concentrou atenção
São Paulo esteve no centro das preocupações das campanhas. No primeiro turno, 7,69 milhões de eleitores paulistas não votaram, o que representou 22,54% do eleitorado estadual.
Na capital, a ausência passou de 2,1 milhões de pessoas, com índice de 23,4%. Na Grande São Paulo, mais de 3,7 milhões deixaram de comparecer, o que equivaleu a 22,8%.
Ao mesmo tempo, a disputa sobre o transporte público gerou controvérsia neste domingo. O PT criticou a circulação de ônibus na capital paulista e afirmou que apenas 60% da frota prevista estava em operação.
A SPTrans, por outro lado, alegou dificuldades operacionais para reorganizar o serviço após uma decisão judicial. A determinação exigia a oferta integral da frota programada para dias úteis.
Chuvas e horários de votação
Um levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), usado pela campanha petista, apontou redução na circulação de ônibus em áreas periféricas de São Paulo. Entre os locais citados, Vila Curuçá teve queda de 35,7% e São Miguel, de 35,5%.
O estudo, porém, não relaciona de forma direta a diminuição da frota com a abstenção eleitoral. Ainda assim, o tema entrou na discussão sobre o comparecimento às urnas.
A campanha de Flávio Bolsonaro pediu a ampliação do horário de votação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O pedido citou dificuldades de deslocamento provocadas por chuvas, alagamentos e bloqueios de vias.
Diante das solicitações das duas campanhas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a extensão do horário de votação em todo o país. Assim, a medida buscou reduzir impactos sobre o comparecimento dos eleitores.



