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Trump pede ação para barrar certificação eleitoral no Alasca

Medida mira a disputa ao Senado e depende do resultado entre Dan S. Sullivan e Mary Peltola.

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Trump pede ação para barrar certificação eleitoral no Alasca
Foto: Reprodução

Donald Trump confirmou nesta sexta-feira (23) que ordenou uma ação sobre a certificação eleitoral no Alasca. A medida mira a disputa ao Senado e pode valer se o republicano Dan S. Sullivan perder a eleição.

Trump disse que deu a ordem pessoalmente ao Departamento de Justiça. “Fui eu quem mandou fazer isso”, afirmou ao desembarcar na Flórida para um comício de campanha.

A ação foi protocolada na quinta-feira (22), a menos de duas semanas da eleição de 3 de novembro. Além disso, o pedido representa uma intervenção federal inédita na administração de um pleito estadual.

O argumento do governo

O Departamento de Justiça sustenta que a presença de um segundo candidato com nome quase idêntico pode confundir eleitores. Trata-se de Daniel J. Sullivan Jr., professor aposentado e homônimo do senador republicano.

Segundo a ação, votos destinados ao titular poderiam acabar desviados. O governo diz que a certificação só deve ser barrada se duas condições forem atendidas.

Primeiro, Dan S. Sullivan precisa perder a disputa. Depois, uma simulação teria de indicar que ele venceria se os votos dados a Daniel J. Sullivan fossem atribuídos a ele.

O Alasca usa voto por ordem de preferência. Dessa forma, o eleitor pode classificar os candidatos em sequência na mesma cédula.

Se ninguém alcançar maioria na primeira rodada, o menos votado sai da disputa. Então, seus votos passam para a próxima opção indicada, enquanto isso o processo segue até haver definição.

A ação afirma que o único propósito da candidatura do homônimo seria beneficiar a campanha de Peltola. Ainda segundo o texto, haveria uma probabilidade substancial de a certificação refletir um processo sem integridade.

Quem é o homônimo

Daniel J. Sullivan mora em Petersburg, no sul do Alasca, e tem cerca de 3 mil habitantes. Ele trabalhou por 15 anos no Serviço Florestal dos Estados Unidos.

Neste ano, ele se registrou como republicano. Porém, aparece na cédula sem identificação partidária, enquanto o senador figura como republicano e ocupante do cargo.

Daniel J. Sullivan nega qualquer coordenação com a campanha democrata. “Seria um absurdo”, disse ao falar sobre a sugestão de que saiba com quem falar na campanha de Peltola.

A disputa sobre sua presença na cédula já chegou à Justiça. Em junho, a Suprema Corte do Alasca decidiu que ele poderia concorrer, revertendo uma tentativa da autoridade eleitoral de excluí-lo.

Nas primárias de agosto, Dan S. Sullivan recebeu 68.726 votos. Já Daniel J. Sullivan obteve 4.107 votos.

Disputa política e críticas

A eleição no Alasca é uma das mais acompanhadas das eleições de meio de mandato. Além disso, ela pode definir o controle do Senado, hoje com maioria republicana.

As pesquisas mostram uma disputa acirrada entre Dan S. Sullivan e a democrata Mary Peltola, ex-deputada federal. Os democratas precisam conquistar quatro cadeiras para obter a maioria na Casa.

Trump venceu no estado por 14 pontos percentuais em 2024. No entanto, sua aprovação local piorou com a insatisfação sobre o aumento de preços e a guerra no Irã.

O presidente também tem atacado o sistema de voto por ordem de preferência do Alasca. Ele o classificou como “fraude” e pediu apoio a uma medida estadual para revogá-lo.

Especialistas em direito eleitoral criticaram a ação. David Becker, do Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral, disse que não se lembra de outro caso parecido.

Segundo ele, a situação ocorreu a 11 dias do pleito e parece interferência política. Derek Muller, professor da Universidade de Notre Dame, chamou a tese jurídica de “absurdamente frágil”.

Mary Peltola acusou o adversário de usar suas conexões em Washington para manipular a disputa. Já a senadora republicana Lisa Murkowski afirmou que a cédula já diferencia os candidatos.

“Fui eu quem mandou fazer isso”, disse Trump ao confirmar a ordem.

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