Leão d’América marcou o comércio da Uruguaiana no Rio
Loja vendeu de cristais e porcelanas a geladeiras, máquinas de lavar e televisores, além de manter endereço na região portuária.

O Leão d’América marcou o comércio da Uruguaiana, no Centro do Rio, ao vender cristais, louças e eletrodomésticos. A loja funcionou na Rua Uruguaiana, entre a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos e a Avenida Presidente Vargas. Hoje, a área abriga o camelódromo.
O endereço mais lembrado nos anúncios era Uruguaiana, 89, depois ampliado para 89 e 91. Ali, a casa oferecia aparelhos de jantar, faqueiros, cristais e lustres de cristal. Mais tarde, o catálogo também passou a incluir geladeiras, máquinas de lavar, liquidificadores e televisores.
Da porcelana à linha branca
A trajetória da loja acompanha uma mudança no consumo doméstico do Rio. Primeiro, a publicidade destacava serviços para cristaleira, conjuntos de chá e café e peças de decoração. Depois, a empresa passou a anunciar refrigeradores, rádios, ventiladores, aspiradores e outros aparelhos elétricos.
Em setembro de 1951, a empresa comemorou dezoito anos de atividade. Já em novembro do mesmo ano, anunciou uma ampliação das instalações e a criação de seções para rádios, televisores, refrigeradores e máquinas de lavar. A loja também manteve oficina para consertar rádios e vitrolas, com orçamento gratuito.
Adolpho Gomes de Souza e os registros da empresa
O principal nome ligado ao negócio é o de Adolpho Gomes de Souza, fundador do Leão d’América. Um registro publicado em 14 de abril de 1936 mostra o comerciante defendendo o título de estabelecimento “Ao Leão da America”, em resposta a uma oposição de José Oliveira Cunha Grava.
Outra referência aparece em documentação de 1949, que relaciona a empresa como Leão d’América, Adolpho Gomes de Souza e Cia. O nome do comerciante também surge ligado a imóveis da Rua Sacadura Cabral, na região portuária, em especial os prédios 164 e 166.
Na Sacadura Cabral, o Leão d’América manteve uma fábrica de lustres. Em 1958, um anúncio descreveu modelos de cristal tcheco, com manga e pingentes lapidados à mão. Havia peças de três a seis braços, com lâmpadas incluídas no preço e opção de pagamento a prestações.
Rede de endereços e publicidade
Ao longo da trajetória, a empresa apareceu também em outros pontos da cidade. Em 1941, anúncios já indicavam uma casa na Avenida 28 de Setembro, 339, em Vila Isabel. Depois, em 1967, a publicidade reuniu três locais: Uruguaiana, 89/91; Sacadura Cabral, 164; e Rua da Conceição, 75/77, em Niterói.
O alcance comercial ia além do Rio. Em 1947, um aviso orientava clientes de fora a escrever com os pedidos e enviar o valor correspondente, somado às despesas de embalagem e envio. O Leão d’América oferecia remessas para qualquer ponto do Brasil.
Nos anúncios de 1951, a loja também divulgava pagamento em dez prestações por meio da Compensadora. Além disso, programas de rádio, campanhas de aniversário e promoções para o Dia das Mães ajudavam a manter o nome da casa em circulação.
O Leão d’América durou até o início dos anos 1980, principalmente na Rua Sacadura Cabral.
No fim da trajetória, a empresa passou a vender fogões industriais e comerciais. Assim, a loja que começou com cristais e louças acompanhou a mudança dos lares cariocas e das formas de compra no Centro do Rio.