Flávio Bolsonaro e Lula confrontam propostas para dívidas e segurança
Debate desta sexta-feira teve trocas de acusações sobre educação, bets, facções criminosas e políticas de renegociação de débitos.

O debate presidencial desta sexta-feira (23) reuniu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um embate sobre dívidas, educação e segurança pública. Os dois trocaram críticas e apresentaram propostas para renegociação de débitos, ensino integral e combate ao crime organizado.
O terceiro bloco começou com Flávio questionando Lula sobre o endividamento das famílias. Segundo ele, mais de 30 milhões de pessoas convivem com esse problema, e os programas do governo federal não resolveram a situação.
Dívidas e proposta de crédito
Flávio criticou a política econômica do governo e afirmou que o saldo devedor das famílias segue alto por causa dos juros. Além disso, acusou Lula de gastar bilhões sem enfrentar o problema e de alterar a Lei Orçamentária Anual sem previsão para certas despesas.
O candidato do PL disse que pretende criar o Banco da Prosperidade, vinculado à Caixa Econômica Federal. A ideia, segundo ele, é oferecer crédito e apoiar pequenos empreendedores nas periferias.
“Tenho um plano para resolver sua dívida”, afirmou. Depois, ele disse que o banco seria “o Bradesco das periferias” e facilitaria a formalização de negócios nas favelas.
Lula rebateu e afirmou que seus programas de renegociação já atenderam milhões de brasileiros. Conforme o presidente, uma nova medida está em preparação, com possibilidade de leilão para compra de dívidas bancárias.
Ele disse que a iniciativa pode alcançar R$ 160 bilhões e, assim, retirar consumidores dos cadastros de inadimplência. Lula também criticou as apostas on-line, conhecidas como bets, e prometeu enfrentá-las.
“Vamos acabar com as bets”, disse o presidente. Segundo ele, o dinheiro precisa ir para as despesas domésticas, e não para as apostas.
Educação em tempo integral
Na sequência, Lula cobrou propostas de Flávio para ampliar a educação em tempo integral. O presidente afirmou que a política educacional vai além da jornada escolar e pediu medidas concretas para a área.
Flávio respondeu que faria o que, segundo ele, o atual governo não conseguiu fazer. “Vou fazer o que você não fez”, afirmou. Ele também criticou a gestão petista e citou Lulinha e o chamado “Tigrinho”.
Lula classificou a fala como cinismo e associou o tema das apostas ao governo de Jair Bolsonaro. Além disso, afirmou que pretende concluir a expansão das escolas de tempo integral durante o mandato.
O presidente também prometeu universalizar o programa Pé-de-Meia e ampliar o benefício para estudantes universitários. De acordo com Lula, o objetivo é incentivar os jovens a permanecerem estudando.
Flávio afirmou que pretende manter o Pé-de-Meia. Ao mesmo tempo, citou medidas de renegociação de dívidas estudantis adotadas no governo Bolsonaro e defendeu mais ensino técnico no contraturno.
Ele também propôs retomar os Jogos Escolares Brasileiros e incentivar os e-sports. Além disso, sugeriu parcerias entre empresas e escolas para aproximar a formação dos estudantes do mercado de trabalho.
Segurança pública em foco
O tema da segurança pública elevou o tom do confronto. Flávio questionou Lula sobre saidinhas, maioridade penal e a classificação de facções como Comando Vermelho, PCC e milícias como organizações terroristas.
Em resposta, Lula citou a mãe de Ana Clara, menina de cinco anos morta por um disparo de fuzil. O presidente também questionou o posicionamento de um senador que, segundo ele, defende um policial acusado de ter feito o disparo.
“Que segurança é essa? O território da bala?”, perguntou Lula. Em seguida, Flávio disse que gostaria de ajudar a esclarecer quem fez o tiro e manifestou solidariedade à mãe da criança.
O candidato do PL afirmou que episódios assim ocorrem porque o governo federal, na avaliação dele, não combate o narcotráfico com dureza suficiente. Por isso, prometeu classificar organizações criminosas como narcoterroristas.
Flávio também disse que líderes de facções poderiam receber penas de até 80 anos de prisão. Além disso, defendeu trabalho para presos, endurecimento das punições e castração química para condenados por estupro.
“Vou tratar bandido como bandido”, afirmou. Ele ainda criticou o que chamou de política de desencarceramento e defendeu penas mais rígidas para roubo de celular e estupro.
Lula respondeu com críticas à possibilidade de interferência dos Estados Unidos na política de segurança brasileira. Conforme o presidente, o combate ao crime deve seguir decisões tomadas no Brasil.
O petista citou a PEC da Segurança Pública e prometeu criar um ministério para coordenar as ações da área. Além disso, defendeu o fortalecimento das polícias e resumiu sua posição: “Para o trabalhador, proteção; para o bandido, cadeia”.
No fim do bloco, Lula acusou adversários políticos de terem se associado a milícias. Segundo ele, esses grupos não resolveram a criminalidade no Rio de Janeiro nem no restante do país.
O confronto terminou com estratégias distintas. Flávio defendeu endurecimento das leis e das penas, enquanto Lula reforçou a coordenação nacional da segurança, o fortalecimento das forças policiais e o combate às milícias.



