TSE manda retirar vídeos que ligavam jovens detidos ao PT
Ministra Estela Aranha entendeu que as imagens não provam relação entre os suspeitos, o partido e Lula.

A ministra Estela Aranha, do TSE, determinou a retirada de cinco publicações sobre jovens detidos em Piracicaba, no interior de São Paulo. Os vídeos mostravam os suspeitos usando camisetas de apoio ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As postagens circularam nas redes sociais dos senadores eleitos Guilherme Derrite (PP) e Carlos Jordy (PL), aliados de Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, também apareceram no canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, na quarta-feira, dia 23.
Decisão do TSE
Na decisão, Estela Aranha afirmou que as imagens, sozinhas, não mostram relação entre os suspeitos, o partido e o presidente. Segundo ela, a presença de pessoas investigadas por possível atividade criminosa com camisetas de apoio a um candidato não permite concluir vínculo.
A ministra também entendeu que o uso do material para sugerir associação entre Lula, o PT e a criminalidade ultrapassa, em princípio, os limites da crítica político-eleitoral. Assim, ela avaliou que as publicações atribuíam sentido factual a essa relação sem suporte probatório mínimo.
O caso ocorreu durante uma abordagem relacionada a uma suspeita de tráfico de drogas em Piracicaba. No entanto, a decisão não analisou os relatos de testemunhas sobre possível coação dos jovens para vestir as camisetas.
Um dos homens detidos disse em depoimento à Polícia Civil que os policiais mandaram que ele vestisse uma camiseta alusiva à campanha de Lula. Além disso, integrantes de uma campanha petista afirmaram que os agentes exigiram que os jovens entregassem as roupas que usavam antes da abordagem.
Postagens foram removidas
Por volta das 15h20 de sexta-feira, as publicações citadas na decisão já haviam sido apagadas. Até a noite anterior, uma postagem de Guilherme Derrite no Instagram somava 373 mil curtidas, 27 mil comentários e 91 mil compartilhamentos por mensagem.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais, embora a decisão do TSE tenha se limitado à retirada do conteúdo. Dessa forma, a ministra focou na falta de prova para sustentar a associação feita nas publicações.
O episódio também envolveu nomes ligados ao PL e ao PT, em um contexto de disputa política nas redes. Ainda assim, a ministra destacou que as imagens não bastam para afirmar vínculo entre os detidos e qualquer preferência eleitoral.



