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Abstenção eleitoral no Rio chega a 23,32% no primeiro turno

Jovens de 21 a 24 anos lideram as ausências, e o Centro do Rio concentra os locais com menor comparecimento.

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Abstenção eleitoral no Rio chega a 23,32% no primeiro turno
Foto: Reprodução

A abstenção eleitoral no Rio alcançou quase três milhões de eleitores no primeiro turno de 2026. O índice chegou a 23,32% no estado, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral. O cenário aparece a três dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25).

Ao todo, 2.997.846 eleitores não votaram em 4 de outubro. Com isso, o Rio ficou na segunda posição nacional em abstenção, atrás apenas de Mato Grosso do Sul. A taxa fluminense também superou a média nacional, que ficou em 21,08%, considerando os brasileiros no exterior.

Jovens e idosos concentram ausências

Entre os eleitores obrigados a votar, a faixa de 21 a 24 anos teve a maior ausência. Nesse grupo, a abstenção chegou a 23,42% no estado. Já os eleitores de 18 anos registraram a menor taxa, com 10,68%.

Nos grupos mais velhos, os percentuais cresceram com a idade. Entre pessoas de 70 a 74 anos, a ausência chegou a 34,4%. Na faixa de 75 a 79 anos, o índice subiu para 52,7%. Entre eleitores de 80 a 89 anos, a média foi de 74%, enquanto, de 90 a 99 anos, chegou a 94,9%.

Para a professora de Ciência Política da UFRJ Mayra Goulart, o envelhecimento da população ajuda a explicar parte desses números. “O Rio de Janeiro, capital, tem uma população envelhecida”, afirmou. Ela disse ainda que os mais novos e os mais velhos podem registrar índices maiores, sobretudo quando o voto é facultativo.

Centro do Rio lidera falta às urnas

Na capital, 1.293.714 eleitores deixaram de votar. Isso representa 26,12% dos aptos a comparecer às urnas. Assim, mais de um em cada quatro eleitores da cidade faltou ao primeiro turno.

O levantamento mostra que cinco dos dez locais com menor comparecimento ficam no Centro do Rio. No Colégio Pedro II, a abstenção chegou a 46%. Além disso, outros três locais entre os dez com maior ausência ficam em Copacabana, na Zona Sul, e dois em Inhaúma, na Zona Norte.

Mayra Goulart afirmou que a ausência não se explica apenas por desinteresse político. “A abstenção junta muitos fatores diferentes”, disse. Ela citou ainda problemas de cadastro e dificuldades de deslocamento até o local de votação.

Segundo a pesquisadora, algumas regiões têm mobilidade mais difícil. Por isso, eleitores com dificuldade de locomoção podem enfrentar mais obstáculos para votar.

Municípios com maior índice

Entre os 92 municípios fluminenses, Mangaratiba, na Costa Verde, teve o maior percentual de ausência, com 26,71%. Valença veio em seguida, com 26,22%. Depois, apareceu a cidade do Rio de Janeiro, com 26,12%.

A capital tem peso relevante no resultado estadual. O município reúne cerca de 38,5% do eleitorado fluminense. Ainda assim, respondeu por 43,2% de todas as abstenções registradas no estado.

O histórico eleitoral mostra que a abstenção costuma subir no segundo turno. Em 2002, a taxa foi de 16,95%. Depois, passou para 17,35% em 2006, 21,03% em 2010 e 22,36% em 2014. Em 2018, chegou a 24,06%, e recuou para 22,25% em 2022.

Os eleitores que faltaram ao primeiro turno podem votar normalmente no domingo. Para isso, o título precisa estar regular, sem cancelamento ou suspensão. O prazo para justificar a ausência termina em 3 de dezembro.

O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, recomendou que os eleitores confiram o local de votação antes de sair de casa. A consulta pode ser feita pelo aplicativo e-Título ou pelo site do tribunal. Para quem tem voto obrigatório, três ausências consecutivas, sem justificativa ou multa paga, podem levar ao cancelamento do título.