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Protestos na França têm incêndios, confrontos e 166 detidos

Atos contra o custo de vida e em apoio a estudantes tiveram violência em cinco cidades, segundo o gabinete do ministro do Interior.

fabricio · 3 min de leitura
Protestos na França têm incêndios, confrontos e 166 detidos
Foto: Reprodução

Os protestos na França durante uma jornada nacional contra o aumento do custo de vida terminaram com confrontos, incêndios e danos a prédios em várias cidades. Segundo as autoridades, pelo menos 166 pessoas foram detidas em todo o país. Em Paris, a polícia entrou em choque com manifestantes na Praça da República.

Na capital, centenas de manifestantes encapuzados e mascarados atiraram rojões e outros objetos contra as forças de segurança. Eles gritavam “Macron, renuncie”. Em resposta, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar o grupo e enviou um forte contingente de tropas de choque ao local.

Os atos também apoiaram as reivindicações dos estudantes do ensino médio. Além disso, milhares de pessoas atenderam a apelos nas redes sociais para reativar o movimento dos coletes amarelos, que surgiu em 2018 contra a injustiça social. Os estudantes, por sua vez, protestam desde meados de setembro com bloqueios de escolas e convocaram seus apoiadores às ruas.

A CGT, uma das principais centrais sindicais do país, também apoiou as manifestações. A entidade exigiu “salários e aposentadorias mais altos, preços mais baixos e a preservação de serviços públicos que atendam às necessidades da população”.

De acordo com o gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, houve 140 manifestações fora da região de Paris até o meio-dia, com mais de 30 mil participantes. O gabinete relatou ainda atos de violência de indivíduos encapuzados em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers. Entre as ocorrências estão tentativas de saques, agressões a policiais, incêndios em mobiliário urbano e ataques a instalações governamentais e veículos de comunicação.

Em Marselha, cidade portuária no sul do país, alguns estabelecimentos comerciais e uma delegacia da polícia municipal sofreram danos. Manifestantes também invadiram brevemente o saguão da prefeitura. Depois que a polícia dispersou o grupo, o prefeito Benoît Payan afirmou que foram registrados “danos limitados”.

Na sexta-feira, o presidente Emmanuel Macron reconheceu “o direito constitucional de protestar e de se expressar”, mas pediu calma. Segundo ele, “esse direito exige respeito. Respeito pelas pessoas, respeito pelo patrimônio e, portanto, o compromisso de não insultar nem destruir”.

Em Paris, a polícia proibiu outras concentrações previstas para o centro e determinou o fechamento de estações de metrô ao longo do dia. A medida incluiu as estações dos arredores da avenida Champs-Élysées e das proximidades do Palácio do Eliseu, do Parlamento e de prédios governamentais.

Nas últimas semanas, a França registrou milhares de detenções, centenas de feridos e escolas incendiadas, em um início de ano letivo marcado por protestos estudantis. As manifestações afetam a campanha para as eleições presidenciais e atraem a atenção internacional.

Houve também casos de ferimentos graves entre manifestantes, atribuídos ao uso de armas de controle de multidões pela polícia. Por esse motivo, Laurent Nuñez suspendeu o uso de um tipo de granada de atordoamento contra jovens, depois que um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos.

Na terça-feira, a ativista Greta Thunberg se juntou a estudantes de uma escola de ensino médio em Saint-Denis, no subúrbio parisiense.