Alta do papa Leão 14 é confirmada após cirurgia no pulmão
Pontífice teve o lobo inferior do pulmão direito removido; no domingo (18), ele deve rezar o Angelus da janela do Palácio Apostólico.

A alta do papa Leão 14 foi confirmada para este sábado (17), no hospital Agostino Gemelli, em Roma. O pontífice ficou quatro dias internado para a retirada de um tumor maligno do pulmão. De acordo com os médicos, a liberação ocorreu porque os exames feitos pela manhã tiveram resultados satisfatórios.
Além disso, o Vaticano informou que, neste domingo (18), Leão 14 celebrará a oração do Angelus da janela do Palácio Apostólico, na praça São Pedro, como de costume.
O que diz o boletim médico
O boletim é assinado pelo médico do papa, Luigi Carbone, e pelo cirurgião Stefano Margaritora. O texto afirma: “Em consideração aos exames de sangue e de controle radiológico do tórax, realizados nesta manhã, e avaliado o quadro clínico, o Santo Padre foi considerado apto para a alta”.
A cirurgia ocorreu na terça-feira (13). Na ocasião, a equipe removeu o lobo inferior do pulmão direito por meio de técnica videoassistida. Segundo os médicos, o primeiro exame histológico confirmou um adenocarcinoma pulmonar, tipo de câncer de pulmão.
Robert Prevost tem 71 anos e não tinha problemas de saúde conhecidos. Ao longo da semana, os boletins relataram boa evolução. Na sexta-feira (16), por exemplo, a equipe informou que ele realizava as atividades do dia a dia com total autonomia.
Retomada do trabalho e conversa com Putin
Mesmo internado, o papa retomou parte de suas atividades. Ele recebeu os cardeais Luis Antonio Tagle, recém-escolhido decano do Colégio Cardinalício, e Baldo Reina, vicário para as dioceses de Roma.
Também na sexta, Leão 14 conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin. Segundo o Vaticano, o papa manifestou preocupação com a situação humanitária na Ucrânia, na região de Kherson. Ele pediu uma “trégua para consentir a chegada de ajuda alimentar e sanitária e a evacuação voluntária e segura da população civil”.
Próximos passos e impacto no pontificado
Nos próximos dias, é esperado o resultado da análise do tumor retirado. Com ele, será possível definir qual terapia ou acompanhamento médico será recomendado ao pontífice.
Por outro lado, o diagnóstico pode influenciar o rumo do pontificado, até aqui marcado por um ritmo prudente. Leão 14 foi eleito pelos cardeais há um ano e meio, aos 69 anos, e a expectativa era de um papado longo, sem urgência para concretizar suas metas.
“Foi um duro golpe. A ideia era que esse papa, eleito jovem em comparação aos antecessores, estaria imune por um certo número de anos a problemas de saúde”, diz Massimo Faggioli, professor de teologia da Universidade Villanova, nos Estados Unidos.
Segundo Faggioli, autor do livro “Leão 14 e a Igreja global”, ainda sem edição no Brasil, há mais incerteza agora. “Não é de domínio público o que vão significar as próximas semanas e meses para o papa como paciente”, afirma. Ele acrescenta que a lista de prioridades pode mudar. Um exemplo seria a escolha de novos cardeais, que o papa ainda não anunciou. O último consistório para essa finalidade foi em dezembro de 2024, sob o papa Francisco.
O secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, também falou sobre uma possível adaptação. Na quinta-feira (15), ele disse: “Trata-se de ver agora quando e em que situação ele vai voltar, o que dirão os médicos. Com base nesses elementos, o papa vai remodelar seu pontificado, se for necessário”.
Viagem à América do Sul segue confirmada
Em um esforço para demonstrar normalidade, o Vaticano continua confirmando a viagem à América do Sul, marcada para o período de 6 a 17 de novembro. Até o momento, não há detalhes sobre mudanças na programação.
Faggioli avalia ainda que o episódio pode fortalecer a imagem de Leão 14. Nos últimos meses, o papa se posicionou sobre paz, tecnologia e o enfrentamento a líderes populistas, como Donald Trump. “Ele se fez ouvir principalmente sobre a questão internacional e sobre inteligência artificial e isso [a saúde] poderia aumentar mais a atenção em sua direção”, diz o professor.



