Patrocínio da Cedae de R$ 750 mil financia exposição do TJRJ
Estatal fluminense assinou contrato por inexigibilidade de licitação para mostra de arte contemporânea que revisita processos históricos do Judiciário.

O patrocínio da Cedae voltou a atingir valores elevados. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro aprovou o repasse de R$ 750 mil para uma exposição temporária feita em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). A mostra será realizada no Museu da Justiça, no Centro do Rio.
O extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial do Estado. A contratação foi feita por inexigibilidade de licitação com a empresa Rosa Melo Produções Artísticas Ltda. e prevê apoio à “Exposição temporária – Um desastre três (ou quatro) versões”.
A curadoria é da pesquisadora e crítica de arte Lisette Lagnado. A exposição ocorrerá no antigo Palácio da Justiça, sede do museu, que celebra o centenário neste ano.
Além disso, a proposta prevê instalações e obras de arte contemporânea em diálogo com a arquitetura histórica do prédio. Os trabalhos também usarão arquivos e processos judiciais sob a guarda do TJRJ. Entre os casos do Judiciário fluminense revisitados pela curadoria estão:
- a ação indenizatória de Inês Etienne Romeu, única sobrevivente do centro clandestino de tortura da ditadura conhecido como “Casa da Morte”, em Petrópolis;
- o processo da Chacina da Candelária (1993), com os autos da ação penal sobre o massacre de jovens no Centro do Rio;
- as investigações sobre a morte de Juscelino Kubitschek (1976), em acidente automobilístico na Via Dutra.
O novo contrato chama atenção pela comparação com aportes recentes. Em junho, por exemplo, a estatal destinou R$ 200 mil à 3ª etapa do evento esportivo Gigantes de Nazaré. Assim, o valor agora aprovado representa quase o quádruplo daquele investimento e indica uma mudança de patamar nos recursos para marketing e apoio cultural.
Em sua justificativa interna, a Cedae afirmou que o patrocínio está de acordo com sua política institucional. Segundo a companhia, a iniciativa associa a marca da estatal à preservação da memória, à reflexão sobre a história democrática do país e ao fortalecimento de parcerias com instituições de interesse público.
Quanto ao pagamento, o repasse será feito integralmente em parcela única. A abertura da exposição está prevista para até 60 dias após a transferência da verba. Depois disso, a mostra ficará em cartaz por três meses no prédio do TJRJ.



