Derrota de Flávio Bolsonaro leva Sóstenes a desistir da Câmara
PL vai reunir a bancada na próxima semana para decidir se apoia Hugo Motta ou lança outro nome.

A derrota de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República mudou a estratégia do PL para a presidência da Câmara. O líder do partido na Casa, Sóstenes Cavalcante, desistiu da candidatura e vai consultar a bancada na próxima semana.
Com essa decisão, o partido, que tem a maior bancada da Câmara, precisa escolher um novo caminho. A sigla pode apoiar a reeleição de Hugo Motta ou tentar lançar outro nome para a disputa interna.
Sóstenes afirmou que sua eventual candidatura dependia da vitória de Flávio Bolsonaro.
“Eu sempre falei que seria presidente da Câmara se o Flávio ganhasse. Não tenho interesse em ser candidato com Lula”, declarou o deputado.
Segundo ele, a bancada do PL será ouvida antes de qualquer definição. Assim, o partido pretende discutir o posicionamento na eleição para o comando da Casa com seus próprios deputados.
Articulações no Congresso
A derrota de Flávio Bolsonaro também afetou outras articulações ligadas ao Rio de Janeiro. Além de Sóstenes, o deputado Altineu Côrtes aparecia como possível nome para a presidência da Câmara, em cenário de vitória do senador do PL.
Altineu, que é vice-presidente da Câmara, também buscava espaço no Tribunal de Contas da União. No Senado, o nome de Carlos Portinho também surgia entre as possibilidades para a sucessão no comando da Casa.
Agora, porém, esse cenário perdeu força. A mudança no resultado da eleição presidencial enfraqueceu as apostas ligadas a uma alteração no comando do Executivo federal.
Hugo Motta ganha força
Com a desistência de Sóstenes, Hugo Motta tende a ampliar seu favoritismo na disputa. O atual presidente já conta com apoio de dez partidos, incluindo legendas de centro e de esquerda.
Entre os aliados de Motta estão PP, Republicanos, União Brasil, PSD, Podemos, MDB, PDT, PSB e PV. Dessa forma, a articulação tenta reunir uma base ampla para manter o comando da Câmara.
O movimento também reduz o espaço do PL nas negociações. Embora tenha a maior bancada, o partido enfrenta dificuldade para construir uma candidatura competitiva diante da aliança em torno de Motta.
Mesmo assim, Motta não descarta contar com o apoio do PL. Além disso, ele defende uma candidatura capaz de reunir diferentes forças políticas e ampliar a unidade entre os parlamentares.
A definição do PL deve sair após a reunião da bancada prevista para a próxima semana. Enquanto isso, Motta também busca apoio individual de deputados para consolidar sua base.
A disputa pela presidência da Câmara tem peso estratégico no Legislativo. Afinal, o comando da Casa influencia a pauta de votações, a tramitação de projetos e o ritmo dos trabalhos parlamentares.
Por isso, a posição do PL pode definir o tamanho da influência do partido nas negociações com outras legendas. Além disso, a decisão pode afetar sua capacidade de interferir nos próximos passos da Câmara.



