Datafolha projeta reeleição de Lula para quarto mandato
Com 76,98% das urnas apuradas, instituto indica vitória do presidente sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno.

A reeleição de Lula foi projetada neste domingo, 25, pelo Datafolha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e encaminhou o quarto mandato, em feito inédito no país.
Com 76,98% das urnas apuradas, Lula tinha 51,17% dos votos válidos. Flávio aparecia com 48,83%, diferença que o instituto considerou irreversível.
O Datafolha acompanha a apuração divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral e cruza os dados com um sistema próprio. Além disso, o instituto estima o resultado por mesorregião e pela natureza do município em cada estado.
Quando há votos suficientes nesses agrupamentos, a projeção indica se um candidato ainda pode ser ultrapassado. Assim, a leitura do instituto apontou a vitória do presidente antes do fim da totalização.
Campanha e virada no segundo turno
A disputa ocorreu em clima de forte tensão. Lula terminou o primeiro turno em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro, e reagiu na etapa final da campanha.
Essa virada no segundo turno não acontecia desde a primeira eleição presidencial direta da redemocratização, em 1989. Em 2014, Dilma Rousseff também reverteu a desvantagem nas pesquisas do segundo turno, mas havia chegado na frente na etapa inicial.
Lula, que completará 81 anos na próxima terça-feira, passa a ser o ocupante mais idoso do cargo na história. Por isso, o resultado amplia também a marca pessoal do presidente na política brasileira.
O texto original destaca ainda a campanha acirrada e o peso de temas como a mobilização digital. De acordo com o relato, a estratégia do presidente mudou na reta final e passou a usar com mais força o ambiente on-line.
Adiamento da votação e próximos desafios
No dia da eleição, o Supremo Tribunal Federal adiou a votação em todo o país por duas horas. A medida ocorreu após queixa da campanha do PT sobre obstáculos à liberação do transporte público em dez estados.
Entre os estados citados estavam São Paulo e Bahia, que têm grande peso eleitoral. Enquanto isso, o impasse ganhou contornos partidários no debate público durante a votação.
Com a vitória projetada, Lula terá dois meses para tentar acomodar tensões políticas e econômicas. O governo também deve enfrentar a divisão vista no Judiciário e o mau humor do mercado com a política fiscal.
O resultado ainda abre nova disputa de protagonismo na direita. Sem mandato, Flávio Bolsonaro tende a perder espaço, enquanto outros nomes do campo conservador podem ganhar terreno até 2030.
Para o PT, a projeção de vitória representa alívio após a possibilidade de derrota de seu principal líder. Agora, o partido volta a discutir sucessão, legado e o papel de aliados como Geraldo Alckmin nas próximas etapas do governo.



