Debate da Globo opõe Lula e Flávio Bolsonaro sobre economia
No primeiro bloco, candidatos trocaram críticas sobre obras, salário mínimo, agronegócio, saneamento e programas sociais.

O debate da Globo, transmitido nesta sexta-feira (23), colocou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) frente a frente. Os candidatos discutiram economia, obras, salário mínimo, agronegócio, saneamento básico e políticas sociais. Também houve troca de críticas sobre meio ambiente e investimentos regionais.
No primeiro bloco, os temas surgiram por sorteio. Flávio abriu a rodada questionando as obras inacabadas no país. Lula respondeu que seu governo ampliou investimentos e retomou projetos parados em administrações anteriores.
Obras e infraestrutura
Flávio afirmou que o país tinha cerca de 14 mil obras inacabadas em 2019. Segundo ele, esse número teria caído para 8 mil no fim do governo de Jair Bolsonaro. O senador também cobrou Lula sobre a capacidade de concluir projetos e ampliar a infraestrutura nacional.
O candidato do PL prometeu concluir a Ferrovia Transnordestina e construir uma ligação ferroviária entre o Centro-Oeste e a Região Sul. Além disso, defendeu mais concessões de rodovias, pedágio gratuito para motociclistas e internet como parte da infraestrutura.
Lula contestou a avaliação e disse que o governo federal recebeu milhares de obras paralisadas. O presidente afirmou ainda que a gestão atual trabalha para concluir ferrovias, hidrovias, rodovias, portos e aeroportos. Ele também citou a Transnordestina e a transposição do Rio São Francisco.
“Meu adversário parece aluno que se prepara para o vestibular. Consegue decorar, mas não entender”, afirmou Lula.
Salário mínimo e economia
O confronto avançou para o poder de compra dos brasileiros. Lula perguntou sobre os efeitos das políticas do PT para o salário mínimo e questionou o impacto de reajustes acima da inflação.
O presidente afirmou que, sem aumentos reais ao longo dos governos petistas, o salário mínimo estaria em patamar inferior. Dessa forma, ele prometeu manter a valorização acima da inflação.
Flávio respondeu com críticas à carga tributária e ao endividamento público. O senador atribuiu a inflação aos gastos do governo acima da arrecadação e disse que pretende reorganizar a economia para ampliar o poder de compra da população.
“Não adianta reajustar o salário mínimo, vou reorganizar a economia para você ter poder de compra”, declarou.
O candidato do PL também criticou o nível de endividamento das famílias. Lula, por sua vez, perguntou se Flávio apoiava tarifa zero no transporte público aos fins de semana.
Agronegócio, previdência e regiões
No agronegócio, Flávio afirmou que produtores rurais enfrentam endividamento, burocracia e juros altos. Ele também acusou Lula de hostilidade ao setor. Ao mesmo tempo, prometeu recursos para o seguro rural, mais tecnologia no campo e um pacto com governos estaduais do Centro-Oeste contra o crime organizado.
Lula rebateu e disse que seu governo ampliou oportunidades e mercados de exportação. “Nunca se exportou tanto nesse país”, afirmou. Flávio respondeu que produtores reclamam das condições de financiamento do Plano Safra e prometeu preservar a aposentadoria rural.
Na pauta da Previdência, Lula questionou cortes de gastos e perguntou se o adversário manteria reajustes acima da inflação para servidores e aposentados. Flávio respondeu que pretende reajustar salários acima da inflação e negou privatizar Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
O senador também prometeu apoiar a reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes. Segundo ele, a proposta inclui recuperação de estruturas, melhorias em sistemas de água e contenção, além de ações contra o tráfico de drogas e fiscalização dos portos pela Marinha.
Saneamento e Nordeste
Na Região Norte, Flávio citou o marco legal do saneamento básico e disse que milhões de brasileiros ainda vivem sem água tratada e coleta de esgoto. Ele criticou o posicionamento do PT e prometeu atuar com governadores para ampliar os serviços.
O senador mencionou obras de saneamento em Belém e Altamira. Também defendeu investimentos em tecnologia e data centers em Manaus. Além disso, prometeu autonomia aos povos indígenas para decidir sobre o uso de suas terras.
Lula contestou a avaliação e disse que o governo federal fez investimentos em saúde e infraestrutura na região. O presidente também criticou a atuação do governo Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 e citou a falta de oxigênio em Manaus.
Ao tratar do meio ambiente, Lula defendeu a preservação da floresta amazônica como oportunidade econômica. Segundo ele, manter a floresta em pé pode gerar mais benefícios do que sua destruição.
No Nordeste, a disputa continuou em torno de obras e programas sociais. Lula citou investimentos em educação, indústria e infraestrutura, incluindo empreendimentos automobilísticos no Ceará e na Bahia, além da expansão de institutos federais e universidades. Ele também mencionou a implantação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará.
Flávio prometeu construir uma ferrovia ligando capitais nordestinas e reajustar o Bolsa Família. O senador disse ainda que trabalhadores que consigam emprego ou abram uma empresa não devem perder imediatamente o benefício, para buscar estabilidade financeira.
Lula afirmou que quer o Nordeste em igualdade de condições. “Como eu abri poço d’água com seis anos de idade, quero o Nordeste em igualdade de condições”, disse o presidente.
O debate terminou com novas críticas entre os candidatos sobre obras, economia e políticas sociais. Assim, a disputa presidencial ganhou mais um capítulo na reta final da campanha.



