Empinar pipa e trocar figurinha marcaram uma infância diferente

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As lembranças da infância de muitas pessoas que cresceram até o início dos anos 2000 costumam estar ligadas à rua cheia, ao barulho das crianças brincando e a hábitos que hoje quase desapareceram. Jogos simples, como empinar pipa ou trocar figurinhas, faziam parte da rotina de quem passava as tardes ao ar livre, longe de telas e redes sociais, criando o que hoje muitos chamam de “nostalgia de infância”.

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O que é nostalgia de infância e por que ela é tão comum

A nostalgia de infância é o sentimento de saudade de hábitos, brincadeiras e ambientes vividos nos primeiros anos de vida, quando a vida parecia mais simples e menos cheia de responsabilidades. No Brasil, essas recordações envolvem a convivência na rua, a escola, a família reunida e pequenas tradições do cotidiano que marcavam a rotina.

Essas lembranças são ativadas por elementos específicos, como cheiro de comida caseira, músicas antigas, propagandas de álbum de figurinhas ou a imagem de crianças empinando pipa. A memória afetiva transforma essas experiências em símbolos de uma época, associando o passado a sensações de segurança, pertencimento e familiaridade.

Empinar pipa e trocar figurinha marcaram uma infância diferente
Quando empinar pipa e trocar figurinha faziam parte do dia a dia

Como as brincadeiras de rua se transformaram ao longo do tempo

Entre os elementos mais citados quando o tema é nostalgia de infância, as brincadeiras de rua ocupam lugar central, como empinar pipa, jogar bola no asfalto, apostar corrida, brincar de esconde-esconde ou queimada. Esses momentos criavam laços entre vizinhos, fortaleciam a convivência comunitária e ajudavam a construir amizades duradouras.

Com o tempo, a urbanização intensa reduziu espaços vazios, o trânsito ficou mais pesado e as preocupações com segurança aumentaram, levando muitas famílias a priorizar ambientes fechados. Paralelamente, videogames, smartphones, tablets e plataformas de streaming passaram a disputar a atenção das crianças, diminuindo o tempo dedicado às atividades ao ar livre.

Por que empinar pipa com cerol deixou de ser uma prática comum

Empinar pipa sempre foi uma das imagens mais marcantes da infância em muitos bairros brasileiros, em terrenos baldios, campinhos e lajes onde crianças e adolescentes passavam horas testando manobras. A pipa continua presente em algumas regiões, mas o cerol, mistura de cola com vidro moído usada para cortar linhas, se tornou símbolo de polêmica e perigo.

O cerol passou a ser reconhecido como risco grave, principalmente para motociclistas, ciclistas e pedestres, o que motivou leis municipais e estaduais que proíbem o uso de linhas cortantes, como a “linha chilena”. Hoje, campanhas educativas e orientações de escolas e fabricantes incentivam o uso de linhas comuns ou protegidas, mantendo a brincadeira, mas afastando práticas consideradas inseguras.

Houve um tempo em que certas brincadeiras faziam parte da rotina de quase toda criança. Empinar pipa com cerol e trocar figurinha eram hábitos comuns em ruas cheias de movimento.

Neste vídeo do canal Trindade, com mais de 1.9 milhão de inscritos e cerca de 273 mil visualizações, essas lembranças aparecem ligadas a uma época que marcou gerações:

Trocar figurinhas ainda faz parte da infância das crianças de hoje

Outro marco da nostalgia de infância no Brasil é o hábito de colecionar e trocar figurinhas, especialmente em Copas do Mundo, quando crianças se reuniam em portas de escola, praças e bancas. A troca não servia apenas para completar o álbum, mas também para estimular interação, negociação e a formação de laços de amizade.

Com as mudanças tecnológicas, parte desse hábito migrou para o ambiente digital, com aplicativos e versões virtuais de álbuns que permitem colecionar e trocar figurinhas online. Ainda assim, encontros presenciais de colecionadores e o uso de álbuns físicos persistem, criando uma ponte entre a experiência antiga e as novas formas de brincar e interagir.

  • Antes – Encontros presenciais em praças, escolas e bancas de jornal.
  • Hoje – Grupos em redes sociais, aplicativos e trocas virtuais de figurinhas.
  • Em comum – A vontade de completar coleções e compartilhar interesses com outras pessoas.

Quais outras lembranças reforçam a nostalgia de infância brasileira

Além da pipa com cerol e das figurinhas, a nostalgia de infância brasileira reúne lembranças de brincadeiras como amarelinha, pega-pega, carrinho de rolimã, bola de gude e queimada. Festas de rua, lanche na casa de vizinhos e programas de TV aberta exibidos à tarde também aparecem com frequência nos relatos de quem cresceu antes da internet massificada.

Famílias, escolas e projetos sociais buscam resgatar parte dessas práticas, organizando eventos com jogos antigos e incentivando atividades ao ar livre para promover convivência e criatividade. Ao mesmo tempo, reconhecer as mudanças atuais ajuda a valorizar o passado sem desconsiderar novos contextos, mostrando como tempo, espaços e relações sociais se transformaram ao longo das gerações.

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