A Organização Mundial da Saúde acendeu um sinal de alerta sobre um fenômeno que cresce de forma silenciosa: o sofrimento emocional de mulheres acima dos 50 anos que não buscam ajuda. A chamada epidemia do silêncio envolve ansiedade, depressão e exaustão emocional vividas em silêncio, muitas vezes por medo, estigma ou pressão social para “seguir forte”.

O que a OMS chama de epidemia do silêncio?
A OMS usa esse termo para descrever a combinação perigosa entre sofrimento psicológico e ausência de busca por apoio profissional. Segundo dados recentes, uma parcela expressiva das mulheres maduras convive com sintomas emocionais sem diagnóstico ou tratamento.
Esse silêncio não acontece por falta de necessidade, mas por barreiras culturais. Muitas mulheres acreditam que precisam dar conta sozinhas, evitando falar sobre dor emocional para não parecerem frágeis ou um peso para a família.

Por que mulheres acima dos 50 anos são mais afetadas?
O avanço da idade traz mudanças profundas que vão além do corpo. A menopausa, o luto, o fim de relacionamentos, a saída dos filhos de casa e dificuldades financeiras se acumulam em um mesmo período da vida.
Esses fatores aumentam o risco de ansiedade em mulheres maduras e de depressão após os 50, especialmente quando não há uma rede de apoio emocional consistente.
O que os dados revelam sobre saúde mental nessa fase?
Levantamentos citados por organismos internacionais mostram que os transtornos mentais e neurológicos já representam uma parcela significativa da carga global de doenças. Entre pessoas com mais de 60 anos, eles estão entre as principais causas de incapacidade.
| Indicador | Dados globais |
|---|---|
| Carga global de doenças mentais | ≈ 14% do total mundial |
| Mulheres acima de 50 com sintomas emocionais | Quase 2 em cada 3 |
| Busca por ajuda profissional | Menos de 10% |
Esses números mostram que o problema não é pontual, mas estrutural, agravado pelo envelhecimento acelerado da população mundial.

Por que tantas mulheres evitam procurar ajuda?
Entre os principais motivos estão o medo de incomodar, a crença de que “isso passa sozinho” e a ideia de que sofrimento emocional faz parte natural do envelhecimento. Em muitos casos, existe também a sensação de que ninguém irá compreender o que elas estão vivendo.
Essa combinação reforça a saúde mental feminina como um tema ainda cercado por tabu, especialmente fora dos grandes centros urbanos ou em contextos familiares mais conservadores.
O que a OMS recomenda para enfrentar esse cenário?
A OMS defende a ampliação urgente do acesso a cuidados psicológicos e psiquiátricos, com foco em mulheres mais velhas. Isso inclui políticas públicas, campanhas de conscientização e criação de espaços seguros para diálogo.
O objetivo é romper o ciclo da epidemia do silêncio, permitindo que sintomas sejam reconhecidos cedo e tratados com dignidade. Envelhecer não deveria significar sofrer calada, e com apoio adequado, a recuperação emocional é possível mesmo em fases difíceis da vida.
