Lula é empossado como presidente do Brasil:’Democracia para sempre’

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Lula e Alckmin são empossados como presidente e vice-presidente da República


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Luis Inácio Lula da Silva (PT) foi empossado como Presidente da República neste domingo (1°) pelos próximos quatro anos. Petista assume terceiro mandato no cargo, 20 anos após subir pela primeira vez a rampa do Palácio do Planalto pela primeira vez.

O político foi eleito em 30 de outubro, no segundo turno, com 50,9% dos votos válidos, contra o antigo mandatário, Jair Bolsonaro (PL), que recebeu 49,1% dos votos. Em uma disputa eleitoral histórica, Lula agora assume o desafio de comandar um país dividido.

“Nunca os eleitores foram tão constrangidos pelo poder econômico e por mentiras disseminadas em escala industrial. Foi fundamental atitude corajosa do Poder Judiciário, especialmente do TSE, para fazer prevalecer a verdade das urnas sobre as violências e seus detratores”, começou seu discurso o agora presidente Lula.

Diversos apoiadores começaram a lotar a Esplanada dos Ministérios desde as 5h da manhã, todos para acompanhar de perto o tão esperado discurso de Lula. A segurança precisou ser reforçada no entorno, com atiradores de elite espalhados em diversos prédios. 

“Nossa mensagem ao Brasil é de esperança e reconstrução. O grande edifício de direitos, de soberania e de desenvolvimento que esta Nação levantou vinha sendo sistematicamente demolido nos anos recentes”, Lula (PT), 39º Presidente do Brasil.

Subida na rampa

Lula subiu na rampa do Palácio do Planalto durante a cerimônia de posse com representantes de grupos sociais, sua esposa Janja e a cachorra “Resistência” adotada pelo casal. Os representantes foram responsáveis por entregar a faixa presidencial para Lula.

A cachorrinha foi adotada por Janja quando Lula ainda estava preso em Curitiba, em 2018. Resistência acompanhou os militantes na “Vigília Lula Livre” por 580 dias. 

Confira quem são as pessoas que passaram a faixa para Lula:

Francisco: uma criança de 10 anos, moradora de Itaquera, periferia de São Paulo;
Aline Sousa: catadora, 33 anos
Cacique Raoni Mtuktire
Weslley Viesba Rodrigues, metalúrgico do ABC
Murilo de Quadros Jesus, professor de português
Jucimara Fausto dos Santos, cozinheira que ficou dez meses na Vigília Lula Livre
Ivan Baron, influencer na luta anti capacitista
Flávio Pereira, artesão que ficou 580 dias na vigília Lula Livre


Subida na rampa do Palácio do Planalto


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A entrega da faixa ao presidente foi diferente, de forma inédita, depois do ex-presidente Bolsonaro (PL) se negar a realizar o gesto. Lula recebeu a faixa pelas mãos de pessoas que representam de maneira simbólica o povo brasileiro.


Representantes passando a faixa para Lula


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Durante discurso após receber a faixa presidencial, Lula pediu união ao povo, dizendo que irá governar para 215 milhões de brasileiros e ressaltou a necessidade de reatar laços.

“Quero me dirigir também aos que optaram por outros candidatos: vou governar para 215 milhões de brasileiros e não apenas para quem votou em mim. Olhando para nosso luminoso futuro comum e não para o retrovisor de um passado de divisão e intolerância. A ninguém interessa um país eternamente em pé de guerra. É hora de reatarmos laços com amigos e familiares, rompido por discurso de ódio e disseminação de tantas mentiras”, disse Lula.

Além disso, ao longo do discurso ele abordou diversos momentos de desigualdade e a necessidade de combater. Lula se emocionou ao longo do seu discurso por diversas vezes. Ele defendeu que é “urgente e necessária a formação de uma frente ampla contra a desigualdade”.


Lula discursando durante a posse presidencial


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Do sindicato à Presidência

Lula tem uma longa trajetória na política brasileira, iniciada ainda na década de 1970. Na época, justamente quando o país vivia ainda sob ditadura militar, Lula era diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, um dos principais centros industriais do país.

Em 1975, ele foi eleito presidente do sindicato, que representava 100 mil trabalhadores. Três anos depois, em 1978, após ser reeleito presidente da entidade, Lula lidera as primeiras greves operárias em mais de uma década.

Naquele momento, o país vivia um processo de abertura política lenta e gradual. Em março de 1979, mais de 170 mil metalúrgicos pararam as fábricas no ABC Paulista. No ano seguinte, cerca de 200 mil metalúrgicos cruzaram os braços.

A repressão policial ao movimento grevista, que chegou a levar Lula à prisão, fez emergir a liderança popular de Lula, que criaria o Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980. Alguns anos depois, ele fundaria também a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Em 1984, Lula foi uma das principais lideranças da campanha das Diretas Já para a Presidência da República. Em 1986, foi eleito o deputado federal mais votado do país, para a Assembleia Constituinte, que elaborou a Constituição Federal de 1988.

Liderança nacional consolidada, Lula foi lançado pelo PT para disputar a Presidência da República em 1989, após 29 anos sem eleição direta para o cargo. Perdeu a disputa, no segundo turno, para Fernando Collor de Mello, por pequena diferença de votos.

Dois anos depois, no entanto, Lula liderou uma mobilização nacional contra a corrupção que culminou no impeachment de Collor. Em 1994 e 1998, Lula voltou a ser candidato a presidente, sendo derrotado por Fernando Henrique Cardoso nas duas ocasiões.

Em 2002, por meio de uma inédita aliança política, o PT aprovou uma coligação política que incluía PL, PCdoB, PCB e PMN, lançando Lula novamente a presidente, tendo como vice-presidente na chapa o senador José Alencar (PL), de Minas Gerais, um dos maiores empresários do país.

Em 27 de outubro de 2002, em segundo turno, aos 57 anos de idade, Lula obtém quase 53 milhões de votos e se elege pela primeira vez presidente da República. Seu mandato foi marcado pela ampliação de programas sociais e expansão nas áreas de educação e saúde, além de uma política de valorização do salário mínimo.

Uma das principais marcas do seu governo foi a redução da miséria no país. Em 2006, Lula e José Alencar são reeleitos e terminam o mandato, em 2010, com a maior aprovação de um governo da história do país, superior a 80%.

Essa popularidade impulsionou a eleição de Dilma Rousseff (PT), que era a principal ministra de Lula, e foi eleita a primeira mulher presidente da história do país.

Lava Jato e prisão

Em 2014, após a deflagração da Operação Lava Jato, que apurava corrupção na Petrobras, a crise política escalou um patamar inédito na democracia brasileira. Reeleita no mesmo ano, a presidente Dilma e seu governo acabaram consumidos pelo desgaste das denúncias, ela perdeu apoio no Congresso e acabou sofrendo impeachment em 2016. O afastamento de Dilma é controverso, já que não teria ficado demonstrada a prática de crime de responsabilidade, como exige a Constituição Federal.

Lula passou a ser alvo de processos por suposta corrupção e foi condenado pelo então juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde tramitavam os processos da operação.

Após ser condenado no processo do triplex do Guarujá, o ex-presidente foi preso no dia 7 de abril de 2018, dois dias depois a expedição da ordem de prisão contra ele. A sentença do magistrado havia sido confirmada, e a pena fora aumentada pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre. Na época, o Supremo Tribunal Federal (STF) havia alterado o entendimento de que condenados em segunda instância poderiam iniciar o cumprimento da pena.

Lula ficou 580 dias preso e foi proibido pela Justiça de disputar as eleições presidenciais de 2018, vencidas por Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi solto em novembro de 2019, após o STF rever a tese de cumprimento a partir de condenação em segunda instância, passando a considerar a possibilidade apenas com o trânsito em julgado do processo.

Em 2021, julgamentos do STF consideraram que o então juiz Sergio Moro foi parcial no julgamento de Lula, e foi declarada a suspeição do magistrado, no caso do triplex. O julgamento foi anulado.

Além disso, os casos do sítio de Atibaia e de duas ações penais envolvendo o Instituto Lula também foram anulados porque deveriam ter sido julgados pela Justiça Federal, em Brasília, e não em Curitiba, onde Moro atuava como juiz. Na Justiça Federal do Distrito Federal, os casos foram considerados prescritos, que é quando o estado perde o prazo para buscar uma condenação.

Com Agência Brasil

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